O
fundamento do pensamento platônico é que a realidade sensível não possui
consistência que a torne possível de explicar. O que os sentidos percebem fogem
da consistência, pois são corruptíveis de se degradam. Com isso o que se
consegue captar dos seres é nada mais que uma realidade fugaz, sem
subsistência. Que hoje é belo, amanhã não é mais, o que é justo transforma-se
em injusto. O mundo mutável é impossível para o conhecimento verdadeiro. Por
isso, necessariamente deve existir outro mundo, o verdadeiro, o mundo das
ideias verdadeiras que abriga a verdade e o Bem.
Para Aristóteles, a realidade
que nos cerca encontra-se em permanente movimento e transformação. As coisas
nascem, desenvolvem-se, modificam-se e perecem. Essa mudança somente pode ser
compreendida pela distinção entre potência
e ato. Potência é aquilo que um ser pode vir a ser; ato é a
realização efetiva dessa possibilidade. A semente é potencialmente árvore;
quando se desenvolve, realiza progressivamente aquilo que já possuía como
possibilidade.
Essa explicação está ligada à
doutrina da matéria e
forma. A matéria representa aquilo de que uma coisa é
constituída, enquanto a forma determina aquilo que ela é. Cada ser tende a
realizar sua forma própria e, desse modo, alcançar a perfeição correspondente à
sua natureza. A mudança não ocorre ao acaso: existe nos seres uma orientação
para determinada realização ou finalidade.
Entretanto, aquilo que está
apenas em potência não pode, por si mesmo, passar ao ato. Para que uma potência
se atualize, é necessário algo que já esteja em ato. Aquilo que está frio, por
exemplo, torna-se quente pela ação de alguma coisa que já possui calor. Assim,
todo movimento pressupõe algo que move, e aquilo que move também pode ter sido
movido por outro.
Aristóteles percebe então que
não se pode explicar o movimento do universo recorrendo indefinidamente a uma
sucessão de movidos. Se tudo que move fosse igualmente movido por
outro, permaneceria sem explicação a própria existência do movimento. Torna-se
necessário admitir um princípio que mova sem ser movido, isto é, um Primeiro Motor Imóvel ou Deus.
Quanta reflexão, perfeita e atual.
ResponderExcluirAdmirável filósofo, encanta por viver, observar e transmitir tanto conhecimento.
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