sexta-feira, 13 de maio de 2022

O racismo, mexendo no alicerce. José Mauricio de Carvalho

 




Karl Jaspers foi genial, desses gênios que conseguem se tornar referência mundial em dois campos diferentes do conhecimento. Ele o foi como médico psiquiatra e como filósofo. E viveu em dias extremamente duros, tempo da emergência da extrema direita na Alemanha, na década de 30 do século passado e da redução do pensamento científico ao materialismo positivista, herdado do século XIX. Isso o levou a enfrentar tanto o cientificismo redutor quanto o pensamento político torpe. E interpreto como torpe toda forma de radicalismo político inimigo da liberdade, do estado de direito e da democracia. Creio que não é preciso muita inteligência para entender isso. Vilém Flusser, o filósofo tcheco que viveu no Brasil mais de três décadas, enxergou na teatralidade nacionalista-racista, que ele assistiu no nazi-fascismo, o êxtase orgiástico das grandes manifestações e a inautenticidade dos sentimentos expressões semelhantes à histeria. Quanto a sua dimensão filosófica, esse nacionalismo-racista dos nazi fascistas, como é o pensamento político da extrema direita, ele escreveu em Ser judeu (2014, p. 222): “é subumanamente cretino. Como articulação existencial, é covarde e nojento.”

Voltando a Jaspers, o filósofo elaborou, na última etapa de sua vida uma filosofia da existência pautada na liberdade responsável. Ali a compreensão de liberdade vinha amparada e limitada, no âmbito político pelas leis do país. No que se referia ao positivismo materialista, a liberdade se sustentava no reconhecimento do espírito e nas suas exigências na construção de uma crítica da ciência. Uma síntese desse programa de vida ele propôs em sua Introdução ao pensamento filosófico (1993, p. 92): “Em 1931, no meu livro Situação espiritual de nosso tempo deixei dito que o marxismo, a psicanálise e o racismo (nazismo), (portanto em termos mais gerais, a sociologia, a psicologia e a antropologia biológica) são – desde o momento em que perdem o caráter científico para se tornarem concepções do mundo – os três grandes adversários espirituais do homem de nossa época. Contra eles só podemos defender-nos recorrendo à filosofia, atividade a que todo homem se entrega mas que se esclarece pelo trabalho dos filósofos, que a explicitam e sistematizam.”

Jaspers não falou sozinho da sociedade que via. Outros pensadores, filósofos e cientistas descreveram a sociedade de então. Em síntese, pode-se dizer: Ortega y Gasset tratou de uma sociedade que funciona como massas, Sartre de uma sociedade desocupada da liberdade existencial, Martin Buber e de uma sociedade que perdeu suas crenças, valores e religiosidade, Flusser de uma sociedade em crise de cultura, Bauman de uma sociedade líquida onde não há solidez nas relações pessoais e institucionais, e tantos outros que descreveram o que viam se passar. O resumo de tudo é o surgimento de uma sociedade de massas, uma sociedade pouco reflexiva, que deixou de admirar os pensadores, perdeu vergonha da ignorância, desgostou-se da democracia e queria um líder carismático que dirigisse a vida: um füher, um duce, um condutor, um mito.

O crescimento das manifestações racistas, homofóbicas, excludentes, antidemocráticas, fundamentalista, etc. não são fenômenos isolados ou fruto de algo estrutural na sociedade brasileiro que agora, do nada, emergiu. É fenômeno amplo e complexo fruto de um movimento amplo do ocidente. O nacionalismo-racista reapareceu no mundo em diferentes países depois que a Guerra Fria acabou e deu origem a conflitos setoriais, favorecendo o reaparecimento dos movimentos radicais da extrema direita. Trata-se de fenômeno contaminante, que vai se espalhando.

Para esses dias também contribuiu a destruição do humanismo, a desvalorização da razão ou a antirracionalidade, que esse tempo acirrou. Isso porque todos os filósofos que examinaram a cultura e sua crise no século passado já descreviam quase tudo que estamos vendo acontecer nesses nossos dias. O enfrentamento do racismo e todas as formas de antihumanismo deverá ocorrer com ações na justiça, mas somente se tornará efetivo se conseguirmos retomar a tradição judaico-cristã e do humanismo republicano de que todos os homens são irmãos diante de Deus e/ou membros de uma humanidade comum, ainda que singulares em sua história e sentido existencial.

 

sexta-feira, 6 de maio de 2022

EMPRESA E HUMANISMO. Selvino Antonio Malfatti.

 




No Brasil é comum ouvir-se e ver impropérios, acusações e condenações a empresas. O diapazão são as supostas explorações dos empregados pelos empregadores através de suas ermpresas.

Isto iniciou quando o alemão Marx afirmou, opinativamente, sem base científica, que as empresas para sobreviverem aplicam a ”mais valia” sobre os trabalhadores. Estes são roubados nos seus salários e, através disso, os empresários se sustentavam, as empresas se financiavam e o mundo industrial se reproduz. 

A partir daí começou a dissociação entre empresa e sociedade. A empresa, a vilã, como um tumor alojado na sociedade corroendo-a. Precisa urgentemente ser extirpado. 

A mais valia, uma criação ideológica socialista, não foi submetida ao crivo da crítica e passou como uma verdade incontestável e digna de dogma de fé.

Na prática o que aconteceu foi uma ruptura da tradição sobre o conceito de empresa. Para Aristóteles a empresa pertence à atividade da razão prática. Esta conhece por experiência o que é melhor e como realizar esta atividade. A razão teórica pode auxiliar o mundo da experiência, mas esta é soberana sobre como realizar determinadas atividades.

Santo Tomás e Agostinho na idade média enfatizava a ideia de justiça nas relações de trabalho. “O trabalhador é digno de seu salário e de um salário digno”, como consta no Evangelho. Disso resulta que o trabalhador não pode ser explorado pelo seu patrão.

O movimento industrial introduziu a ideia de lucro na atividade produtiva. A ideologia da mais valia apontou o lucro como exploração. Nisso está a falha do silogismo. Lucro e exploração são conceitos distintos, não idênticos. Nem sempre o lucro é proveniente da exploração, isto é, pode haver lucro sem exploração.

O raciocínio de Marx:

Todo salário é o valor do trabalho embutido nele;

A apropriação de qualquer parte do salário é roubo.

Pronto. Instalada a confusão. Empresa, ladra do salário do trabalhador. 

Onde está o sofisma?

Que o salário é todo valor da produção do trabalhador.

O correto seria que o salário é um trato bilateral entre trabalhador e empresa. Ambos devem concordar, senão não há trato.

Por isso, a questão salarial do trabalhador na empresa deve levar em conta:

- Os empregados são auxiliares na produção e não explorados;

- Os lucros são retorno do trabalho do empresário;

- As empresas oferecem bens de consumo imediatos aos trabalhadores;

- Os empresários precisam continuamente reinvestir na empresa para mantê-la vida: manutenção.

A crítica à empresa acima não é em bem assim em outras partes do mundo, mormente na Europa. É o caso do livro de “L' avvenire della memoria”, (Egea, 2022), livro de Antonio Calabrò, cujo título em português: O Futuro da Memória.

Caladró, presidente do Musimpresa, quer evitar o saudosismo do passado ao querer propor uma sociedade melhor. Seria a retrotopia. Uma atitude em que sempre se imagina o passado melhor que o presente e como consequência, propor implantar uma sociedade do passado para o presente. Seria a nostalgia da Sociedade de Rousseau: natural, sem tecnologia, sem indústria. Caladrò, ao invés, quer uma sociedade inovação. Se ele olha para as raízes é para ter autoconsciência. Outra questão que quer evitar é uma sociedade sem a indústria, somente natural. Seria semelhante a uma alimentação humana puramente vegana. A proposta de uma sociedade sem indústria implica ausência do empresário, culpado de toda desgraça deste mundo: dinheiro, lucros, multinacionais, exportações, explorações, pobreza, miséria, degradação ambiental, cataclismos, numa palavra o capitalismo. 

Seus tentáculos avançam para a produção de conteúdos/símbolos, já com poucos rivais sobreviventes. Surge uma experiência coletiva de fabricação inteligente, não confiável à transmissão ao storytelling corporativo, ou capitalismo inclusivo, extensivo ao perímetro socioeconômico tradicional, mas à ciência e criatividade. Não se trata apenas de passar uma mensagem superficial ao público alvo da empresa, mas lançar mão da ciência e criatividade. Para tanto é preciso investir na memória, consultar mapas, arquivos das empresas, museus, folhear revistas corporativas, ouvir apresentações culturais mescladas aos ruídos de uma fábrica.

Uma indústria humanista não pode existir isolada. Ela deve sobressair do meio social onde habita. Ser um componente do meio social e não ser vista como um nicho de exploração humana. Ela é a sociedade e não somente um componente da sociedade, tal como uma escola amada por pais, professores e alunos, Como uma clube, local de encontro de lazer de jovens, adultose crianças. Um igreja que congrega para o espiritual toda a comunidade. Uma universidade, foco de saber da comunidade. 

A fábrica ou empresa, um esforço comunitário para o bem estar material e social da sociedade. 

 


sexta-feira, 29 de abril de 2022

ELEIÇÕES EM FRANÇA. Selvino Antonio Malfatti.

 





 

Poderia alguém perguntar: o que interessa ao Brasil as Eleições em França?

Antes vejamos o resultado:

1º Turno

Em 10 de abril, houve eleições para presidente em França. Principais Candidatos:

1.    O atual presidente, Emmanuel Macron, do partido La République en Marche (LRM),

2.     A candidata Marine Le Pen do partido Rassemblement national (RN) ),

3.    E Jean-Luc Mélenchon, La France Insoumise (LFI),

MACRON - LRM : 20.21% (9 560 545 votos) -Centrista

MARINE LE PEN - RN : 17.14% (8 109 857 votos) - Direita

JEAN-LUC MELENCHON - LFI : 16.07% (7 605 225 votos) - Esquerda

Com isso, Macron e Marine vão ao segundo turno, no dia 24 de abril.

 

1.         Segundo Turno

CANDIDATOS:

1.         Emmanuel MACRON

La République en marche

58,54 %

18 79 641

2.         Marine LE PEN

Rassemblement national

41,46 %

13 297 760

 

A França é um país ocidental, um dos de primeira grandeza, não só pela extensão, mas por tudo o que representa.

1.    Primeiramente no Ocidente. Sempre foi um país central neste universo cultural. Não somente participou da nossa cultura como foi um dos principais protagonistas. A França se pode dizer foi uma das lideranças da cultura ocidental, desde sua formação até o momento.

2.    É um país europeu, da União Europeia, não só membro, como líder de tudo o que acontece na Europa: na cultura, na economia, na arte na filosofia, na ciência e mesmo na religião.

3.    Uma liderança política engajada na paz e na guerra no intuito de defender os valores ocidentais: a fraternidade, a humanidade e a cristandade.

4.    O Brasil sempre esteve próximo culturalmente  da França. Várias missões culturais estiveram presentes em nosso meio cultural, artístico e científico, como a Missão Cultural Francesa do século XIX, os estudos de Botânica de Auguste de Saint-Hilaire, e inúmeras iniciativas dos governos França-Brasil.

5.    Intercâmbios. São inúmeras as possibilidades de intercâmbios com a França, dentro das mais diversas áreas como ciências humanas e exatas. As principais cidades de recepção em França são:

 

1.    Paris. É sempre a mais procurada. No entanto há outras

2.    Marselha: Além de ser a segunda maior cidade francesa oferece inúmeras ofertas de pesquisa e estudos.

3.    Lyon: Lyon possui um tamanho perfeito (nem pequena demais, nem grande), é segura e possui 3 ótimas universidades.

4.    Toulouse: Conhecida como a cidade dos universitários.

5.    Lille Possui excelentes universidades, está muito bem localizada.

Todos os anos são milhares de bolsas de brasileiros em pesquisa na França, nas mais diversas áreas científico-tecnológicas e humanas. Neste ano, por exemplo, a CAPES disponibilizará para estudantes brasileiros na França 1,5 mil bolsas. Serão investidos R$ 178,7 milhões na inciativa de 2020 a 2021. As oportunidades são resultado da parceria entre a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a França no Programa de Cooperação Brasil-France Ingénieur Technologie (Brafitec). Os investimentos no projeto somarão R$ 178,7 milhões ao longo de três anos.

O boon científico e tecnológico na França fixou-se num período histórico denominado de Belle Époque , logo após a Revolução Industrial, século XVII e XVIII. As principais invenções foram:

• Telégrafo sem fio;

• Telefone;

• Gramofone;

• Fonógrafo;

• Locomotivas a vapor;

• Bondes elétricos;

• Automóvel;

• Cinema;

• Avião.

Sua influência as faz sentir:

1.     Literatura

A França é o país com o maior número de Prémios Nobel de Literatura.

2.    Belas-Artes

Torre Eiffel, ícone da arquitetura americano-francesa. Os pintores clássicos do século XVII francês são: Poussin e Lorrain. No século XVIII predomina o rococó. Em finais do século começa o classicismo de Jacques-Louis David. O romanticismo está dominado pelas figuras de Géricault e Delacroix. A paisagem realista da Escola de Barbizon tem a sua continuação em artistas de um realismo mais testemunhal sobre a realidade social do seu tempo, como Millet e Courbet. Em finais do século XIX Paris, convertida em centro da pintura, vê nascer o impressionismo, precedido pela obra de Édouard Manet.  Entre outros. E segue a lista com:

3.    Pintura

4.    Religião

5.    Arquitetura

6.    Música

7.    Moda

 

Recado das Eleções

As urnas deram um recado claro tanto para Macron como para Le Pen.

Para o primeiro, Macron, seria bom baixar o salto alto. Não está com tanta força assim. Um pouco mais de cinquenta por cento dos votos. E por isso, deixou o resultado com compasso de espera: as próximas eleições legislativas já batendo à porta, para junho deste ano. Nelas poderá se confirmar a vitória de Macron ou não. É bom lembrar que a França tem sistema de governo parlamentarista e por tanto, o executivo depende do legislativo.

Por outro recado, para Le Pen. O montante dos votos nulos, que ela poderia ter aproveitado, não foram para ela, mas desperdiçados. O puxão de orelha é no sentido de que seu programa não agrada aos franceses, e por isso preferiram anular o voto.

 

 

 

sexta-feira, 22 de abril de 2022

O TOTALITARISMO EMBUTIDO NO “POLITICAMENTE CORRETO”. Selvino Antonio Malfatti

 


 


O  livro de Federico Rampini – “Western Suicide”, alerta para o desafio das democracias liberais. Para ele os ocidentais como formigas levam o próprio veneno para seus ninhos e matam-se mutuamente. Sem ter consciência, estão empenhados na destruição dos próprios valores. A invasão física da Ucrânia dos úlltimos meses, comandadas pela Kemlim, não é superficialmente apenas um movimento político, porém uma consequência de nossa pusilanimidade. Mas, é sobretudo, um movimento geopolítico genérico da nossa indecisão cultural, econômica, institucional e obviamente política. 

Alguém já se deu ao trabalho de pensar de onde vêm algumas expressões novas, como: “feminismo, movimento gay, estatísticas inventadas, história reescrita, as mentiras...” Conforme o autor do artigo temos que ter cuidado com o que falamos, escrevemos, fazemos subentender com as palavras que usamos ou não, como o modo de formular as frases etc. Temos medo de usar as palavras erradas, se não for ofensiva, causadora de melindres, considerada racista, machista ou homofobia. Parece que as pessoas já não podem ter espontaneidade no falar, escrever, ou expressar-se de um modo geral. Parece que não se pode mais dizer a verdade diretamente. Sempre se devem usar subterfúgios, dubiedades ou esconder-se nos subentendidos. Já não se pode dizer: que uma pessoa é anã, é um homem de verdade, brilha como uma mulher de valor. Tudo isso pode ser distorcido e levado para o preconceito...

O politicamente correto é a “doença do século 22”. É a doença da ideologia. Aplicando o método analítico ou histórico descobriremos sua natureza: MARXISMO CULTURAL. Seu estudioso , William S. Lind (1947), um paleoconservador, oposto dos neoconservadores.  Lind é Diretor do “Centre for Cultural Conservatism for the Free Congress Foundation”.  Nascido em 1947, em Ohio (USA), enfatiza a tradição, o governo limitado e a sociedade civil, juntamente com a cultura religiosa, regional, nacional e ocidental. Em seu trabalho delineia as fronteiras do discurso politicamente correto.

O politicamente correto é a transposição do marxismo econômico para o cultural. E, da mesma forma que o marxismo econômico cai numa economia totalitária, assim também o marxismo cultural se torna uma cultura totalitária. Uma dos exemplos concretos mais claros é o que acontece nos campi das universidades.

Nas universidades, mormente nas ciências humanas, o autor constata que grupos feministas, ativistas pró-homossexuais, racistas agridem professores que ousam ultrapassar os limites impostos por estes grupos e os levam aos tribunais. E os próprios membros destes tribunais já não se vêm tão seguros e imunes da ação dos defensores do que consideram politicamente correto. Por isso é nos campi universitários que a ideologia do politicamente correto encontra seu húmus fértil.

É a mesma conclusão a que chega Giannattasio em O Livro Proibido livro com o de Federico Rampini. A  patrulha do politicamente correto acarreta a destruição da universidade.  A intolerância reproduz levas e levas de formandos nos moldes da Revolução dos Bichos e 1984, de Orwell. 

Diz Giannattasio: "Mas saiba que este sentimento de solidão é comum dentre as pessoas que amam a verdade e o conhecimento. Nos dias de hoje , a verdade e a lógica foram substituídas pelas opiniões "politicamente corretas", que de corretas não tem nada." (GIANNATASIO, Gabriel. O Livro Proibido: Totalitarismo, Intolerância e Pensamento Único na Universidade . Editora E.D.A., Educação, Direito e Alta Cultura, 2022, p. 117)

Na ideologia do politicamente correto a ideia é soberana sobre a realidade. A ideia cria a realidade. Se algo estiver errado, é a realidade e esta deve ser corrigida. A realidade deve se adaptar à ideia. Um exemplo: “seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceber as injustiças sociais de maneira crítica”. É uma afirmação dogmática que não admite critica ou contestação. Imagina, pensam eles "Como pensar sem classes dominantes? Como pensar que entre a elite intelectual ou econômica possa surgir pensamentos inovadores?" E o pior: sem se dar conta ou não, parte destes que professam a ideologia do "politicamente correto" pertencem predominaqntemente às classes dominantes.

Tudo deve estar de acordo com esta afirmação da dicotomia entre dominantes e dominados. Fora daí não há vida. Qualquer desvio deste pensar deve ser condenado e afastado. Todos devem aceitar e as pessoas obrigadas a viver uma mentira. Qualquer discordância deve ser devidamente corrigida pelo estado. É o caráter totalitário do Estado ou de seu Partido na defesa do politicamente correto

É o que conclui Lind e Giannattasio. 

 


sexta-feira, 15 de abril de 2022

Páscoa. José Mauricio de Carvalho

 




                                  "Cristo Ressuscitado no Túmulo"


 

A Páscoa é uma festa judaica relatada na Bíblia. No Primeiro Testamento os livros relataram a história da libertação dos judeus do Egito. Eles denominavam de Pessach ou "Festa da Libertação", a celebração desse fato que se deu aproximadamente em 1446 a.C. O relato bíblico mostra que a efetiva presença de Deus representou uma virada na vida dos judeus cativos no antigo Egito, introduzindo na vida do povo uma vida nova cheia de esperança. O que significou isso? Que a presença de Deus, quando invocada com fé consciente tem o poder de mudar as coisas do mundo. Porém, o livro do Êxodo mostra também que a mudança não vem sem sofrimento e que a libertação e a esperança são conquistas que incluem uma transformação interna que o homem pode experimentar diante de Deus, se ele superar o que o mantinha numa vida pobre e inautêntica. Uma vida que não contempla todas as possibilidades de uma vida plena. Em Êxodo 16,3 se lê: “Quem dera tivéssemos morrido por mão do Senhor na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne, quando comíamos pão até fartar! Porque nos tendes trazido a este deserto, para matardes de fome a toda esta multidão.” E esse mesmo lamento da condição anterior, da perda da confortável prisão em que viviam se repete no livro de Números 11:4-6: "Ah, se tivéssemos carne para comer! Nós nos lembramos dos peixes que comíamos de graça no Egito, e também dos pepinos, das melancias, dos alhos porós, das cebolas e dos alhos. Mas agora perdemos o apetite; nunca vemos nada, a não ser este maná! "

 

O episódio da saída de uma vida de escravidão para uma vida em liberdade, com a promessa de uma vida plena numa terra de fartura mostra que o homem vive nesse mundo e que enquanto aqui estiver deve construir um sentido para viver, mas um sentido que não se esgota no dia a dia ou na fenomenologia da existência. Ele precisa descobrir para ter vida plena um sentido que vá além dos objetivos imediatos.

 

O Segundo Testamento considera também a Páscoa o momento de passagem para uma vida plena. Nela Jesus recupera a vida depois de haver morrido. A fazê-lo acena para a continuação da vida como está em Mt, 28, 1-7: “Passado o sábado, no domingo bem cedo, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o túmulo onde Jesus tinha sido enterrado. 2 Naquela ocasião houve um grande terremoto, pois um anjo do Senhor tinha descido do céu, removido a pedra que fechava o túmulo e agora estava sentado sobre a pedra. 3 Ele se parecia com um relâmpago e as suas roupas eram brancas como a neve. 4 Os guardas tinham ficado com tanto medo, ao ponto que ficaram tremendo e, ao mesmo tempo, paralisados como se estivessem mortos. 5 Então o anjo disse às mulheres:—Deixem de ter medo! Eu sei que vocês vieram procurar por Jesus, aquele que foi crucificado, 6 mas ele não está mais aqui. Ele ressuscitou, exatamente como havia dito que iria fazer. Venham ver o lugar onde ele estava deitado. 7 Agora, vão depressa e digam aos discípulos dele o seguinte: “Jesus ressuscitou dos mortos e vai adiante de vocês para a Galileia. Lá vocês o verão novamente”.

 

 As duas descrições bíblicas da Páscoa representam a passagem de uma realidade para outra mais plena, que lhe dá continuidade. E creio que se possa somar às duas descrições pois Jesus cumpriu toda a Lei antiga e foi um judeu excelente como reconheceram Martin Buber e Vilém Flusser, esse último considerou mesmo Jesus a figura central do judaísmo porque nele via quem conseguiu modificar a consciência histórica dos homens com a noção de fraternidade universal. Isso significava apresentar um projeto existencial para todos os homens com termos universalmente judaicos.” E assim, embora pregasse para os filhos perdidos da casa de Israel que viviam naqueles dias, a mensagem de Jesus é transhistórica isto é, possui um sentido existencial que não fica presa à contingências históricas. Jesus recolhe em si toda a experiência judaica e depois a apresenta para o mundo todo e com validade para todos os tempos. E como modelo Ele está além de toda realidade concreta. Creio que a Páscoa traduz isso, a proposta de um grande sentido existencial que vem da passagem de uma vida para outra mais plena.


sexta-feira, 8 de abril de 2022

ESCATOLOGIA: O DESTINO DA HUMANIDADE. José Tiago da Silva Machado

 




Pr. José Tiago da Silva Machado

Bacharel em Teologia Bíblica pela UNINTER[1]

 

O termo escatologia deriva do grego: estudo: eschatos, que significa “último no tempo ou no lugar; último numa série de lugares; último numa sucessão temporal”, e de logos, que pode significar “doutrina, ensino”.

Sendo assim, a escatologia bíblica é o ensino das últimas coisas, é a doutrina que revela os eventos futuros para toda humanidade, incluindo a Terra e tudo que existe no universo. Portanto a escatologia bíblica não só mostra o desfecho final da teologia cristã, mas mostra o poder e domínio de Deus sobre toda a criação. “A escatologia bíblica é o ponto culminante da teologia sistemática, não é apenas o clímax, o desfecho final da teologia cristã, mas mostra o poder e domínio de Deus sobre toda a criação” [i].

Uma grande parte das pessoas tem curiosidade sobre o que vai acontecer no futuro, elas querem saber o que irá acontecer em seguida. A vinda de Cristo está relacionada com o fim dos tempos? Como saber se a vinda de Cristo está próxima e quais os sinais?

São tempos difíceis, muitas coisas acontecendo e tão rápido que dificilmente se pode acompanhar, antes de nos recuperarmos de algum evento surge algo ainda maior; tensões entre as nações, crise econômica mundial, doenças, pandemia, crise moral, violência, desenvolvimento de armas, guerras, fome no mundo todo, os suicídios aumentando, sentimos que o mundo está se direcionando para algum grande acontecimento.

O objetivo desse estudo é ajudar a compreender o que a bíblia diz sobre o futuro, apontar para os sinais do fim dos tempos, bem como o arrebatamento que também faz parte do contexto escatológico. “A singularidade de Deus está expressa na natureza preditiva da profecia bíblica. Não há nada assim em qualquer outra religião. Somente o Deus da Bíblia pode prever o futuro com perfeita exatidão” [ii].

O propósito das profecias bíblicas não é amedrontar as pessoas, mas trazer clareza e esperança para o povo de Deus. Em tempos de incerteza humana podemos descansar seguros na promessa do Senhor “Aguardando a Bem-aventurada esperança, e o aparecimento da glória do Grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo” [iii].

Já no Antigo Testamento essa promessa era anunciada. “Eu sou Deus, e não há outro Deus [...] que anuncio o fim desde o princípio e, desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam [...] porque assim o disse, e assim acontecerá”[iv]

Será mencionado também o acontecimento que é considerado o ápice do cumprimento de todos os sinais referentes ao fim dos tempos que é o arrebatamento da Igreja e a segunda vinda de Cristo.

Tendo em vista os aspectos como o fim dos tempos e a volta de Cristo, percebemos que não importa o que o ser humano faça: o destino da humanidade está nas mãos de Deus e tudo já está preparado. Em Apocalipse Ap 7. 9-14[v]livro do julgamento vindouro está na mão direita do que está assentado no Trono, o qual mostra como acontecerá o julgamento e que finalmente concluirá a Redenção da terra.

A escatologia não trata apenas da destruição e do fim do mundo, mas mostra o poder de Deus salvando o seu povo (Israel), que vai se arrepender[vi]  e aqueles que passarem pela tribulação e lavarem suas vestes no Sangue do Cordeiro [vii]

Para a igreja do Senhor (a Noiva), há uma promessa: Jesus Cristo virá como noivo e a levará para as bodas. Essa é a esperança que temos; cremos que seremos arrebatados antes do “Grande Dia do Senhor”. Algumas histórias na bíblia nos levam a crer nesta promessa. Em Hebreus 11.5 diz que Enoque foi arrebatado para não provar a morte. Elias foi levado para o céu em um redemoinho. O próprio Jesus Cristo foi elevado as alturas até ser oculto por uma nuvem, sendo visto por muitos Galileus[viii] .Dessa mesma forma os salvos em Cristo, na ocasião do arrebatamento, subirão para encontrar com o Senhor nos ares como está escrito.[ix]

Estudando o contexto das profecias escatológicas percebemos que estamos no princípio das dores. Guerras, doenças, terremotos em vários lugares e muitos outros acontecimentos são sinais que a bíblia mostra que iríamos viver nos últimos tempos.

Não sabemos quando será o fim, mas cremos que há um futuro certo para todos. O fim é para aqueles que recusarem o perdão oferecido por Jesus Cristo, mas aqueles que creem e aceitaram esse perdão, será o início de uma nova vida com Deus.

Não precisamos temer o fim, nem se preocupar com o futuro, pois temos uma promessa feita pelo próprio Senhor Jesus. “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente. Você crê nisso? [x]

“Se, com tua boca, confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo [...]. Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será Salvo” [xi] “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devemos ser salvos [xii] , Jesus é o único caminho que nos leva ao Pai. “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna" [xiii].

A razão pela qual Deus deu tantas informações em Sua Palavra sobre o fim dos tempos é que Ele não quer que sejamos achados negligenciando a sua vontade, mas servindo ao Senhor. O Seu desejo é que todos venham ao arrependimento, e vivam com Ele para sempre no céu João.[xiv]


[1] Data de Nascimento: 23/05/1984

Pastor da Igreja Evangélica Gerados pela Palavra

Terapeuta 



[i] HISTÓRIA DAS RELIGIÕES, 2016, p. 101).

[ii] LAHAYE, Tim; HINDSON, 2015, p. 7

[iii] Tito, 2: 13

[iv] Isaías, 46: 9b; 10ª; 11b

[v] Ap 7. 9-14

[vi] Isaías, 46: 9b; 10ª; 11b

[vii] Ap 7. 9-14

[viii] Ap 7. 9-14

[ix] 1 Tessalonicenses 4. 14-17.

[x] João, 11: 25,26).

[xi] Romanos 10: 9,13).

[xii] Romanos 10: 9,13).

[xiii] João, 3: 36

[xiv] João, 3: 36




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