sexta-feira, 5 de outubro de 2012

CIVISMO DE CABELOS BRANCOS. Selvino Antonio Malfatti.



















Nesta semana, dia 1º de outubro, foi comemorado o Dia do Idoso. Já no domingo, dia 7, haverá eleições municipais.
Se examinarmos as propostas dos candidatos - tanto para prefeito como para vereador – surpreendemo-nos com a ausência de propostas de políticas específicas para idosos. Não se propõe, por exemplo, dar-lhes prioridade no atendimento médico-hospitalar, facilidade no transporte, incentivo ao lazer, cuidados com a saúde. Nada, é uma lacuna que chama a atenção.
Em contrapartida, os idosos são a faixa etária que mais participa nas eleições, Praticamente todos os idosos até oitenta anos votam. E se atentarmos para o fato que esta população está aumentando e já representa uma grande fatia do eleitorado os candidatos, no mínimo, estão desperdiçando uma oportunidade para conquistarem votos. Só no Rio Grande do Sul, são 1,6 milhão de idosos com mais de setenta anos que podem votar, conforme o Tribunal Superior Eleitoral. Sobre uma população total de 7,7 milhões pode–se dizer que a população idosa é 14%, uma expressiva porcentagem certamente. Em outros estados praticamente se mantêm as taxas.
Mas o dado mais significativo é a presença dos idosos nas eleições. Embora a partir dos 70 anos não seja mais obrigatório, assim mesmo continuam a comparecer às urnas. Conforme trouxe a público o professor Ângelo Bós, da PUCRS, uma pesquisa realizada pelo Instituto de Geriatria e Gerontologia da referida universidade, evidenciou que 91 % dos pesquisados de 60 a 69 votaram na última eleição e entre os que tinham 70 a 79 55% votaram e os que estavam na faixa etária de 80 a 89, 32% votaram. Como se percebe é maciça a participação cívica nas eleições dos idosos. Por isso não se pode entender como os candidatos simplesmente “esquecem" esta fatia do eleitorado e não lhe dão a devida atenção. Repito: nem que fosse por interesse.A mesma pesquisa revelou um dado que causa admiração: 16% dos que possuem mais que 90 anos compareceram às urnas.
No Brasil os funcionários do setor público são descartados aos 70 anos. Não importa o investimento da sociedade neles através de impostos, nem a vontade do interessado em continuar trabalhando. É compulsoriamente afastado do trabalho. Em países desenvolvidos o funcionário com esta idade é aproveitado em setores onde não há necessidade de esforço físico, mas de capacidade mental. Com efeito, é neste período da vida que a maturidade, a síntese intelectual, a experiência, a neutralidade em relações às paixões estão superadas. Por isso é o período de maior rendimento científico e administrativo. Estes funcionários são aproveitados nas universidades, autarquias, nos poderes governamentais, nos institutos de pesquisa avançada, enfim onde se exige o maior aprimoramento intelectual. No Brasil, nesta idade são jogados na lixeira.
No setor privado anda um pouco melhor. Mas aí esta pessoa tem que competir com mais jovens e que são mais promissores para a empresa. Entre empregar alguém com 70 anos e um jovem de 25 a 40 anos a opta-se pelo que pode fazer uma carreira mais longa na empresa, diferente do setor público cuja carreira foi toda nele. Mesmo assim, pessoas mais idosas ocupam cargos de chefia, de orientação e aconselhamento e mesmo de lideranças políticas. Basta olhar para países desenvolvidos para se comprovar como os idosos estão no topo e liderança da economia, finanças, indústria, comércio e mesmo política. É só acessar Estados Unidos, Alemanha, França, Japão, Itália, Reino Unido e até mesmo a Rússia.
Os idosos com uma renda razoável estão bem por q   eu podem pagar. Mas os demais? Há idosos que residem com a família e que dividem seu magro salário com os demais. Há aqueles que sofrem maus tratos dentro de seu próprio lar. Há os abandonados em casas de idosos completamente esquecidos pelos familiares. Há os discriminados pela sociedade só por que não conseguiram acompanhar a tecnologia. Há os doentes socados num canto de hospital morrendo à míngua. Há os doentes incuráveis que suplicam por uma eutanásia.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

CANDIDATO IDEAL E ELEITOR REALISTA. Selvino Antonio Malfatti



Na pesquisa sociológica Max Weber utilizava ou propunha um método diferente mas muito eficaz. Dizia ele que se poderia partir de uma concepção ideal e através dela medir a realidade social. Por isso seria necessário se perguntar como seria um tipo ideal, por exemplo, de santo, de pecador, de administrador e assim por diante. Evidentemente não existe na realidade, mas apenas como tipo ideal. Este mesmo método poderia ser aplicado à política. Daí a questão: qual seria um tipo ideal de candidato?
Conforme o cientista em política da UNICAMP, Valeriano Costa, os candidatos deveriam reunir alguns traços característicos para que fossem bons políticos. Evidentemente nem todos teriam todos e muito menos todos seriam idênticos. São pessoas ideais que a realidade não as reproduz integralmente. Este é apenas um método para facilitar as escolhas pessoais ao se confrontarem candidatos reais. Nós temos uma imagem ideal com a qual comparamos o nosso candidato real. Um candidato ideal deveria congregar as seguintes qualidades: Poderíamos dividi-las em teóricas e práticas.
A.   Teóricas

1.    Trajetória de vida limpa. Ter um passado público e privado inatacável. Livre de envolvimento com atividades condenadas pela lei, pela moral e pela ética.
2.    Agir com transparência. Seria mais ou menos o que propunha a moral positivista: “agir às claras”. A vida deste candidato está sempre disponível.
3.    Autenticidade. Significa uma e mesma identidade: a do cidadão comum e daquele que vai pleitear um cargo público.

B.   Práticas
1.    Noções de gestão. Saber administrar, a começar pela própria família, escola ou empresa.
2.    Conhecer a realidade. Ser alguém que tenha um mapa espelhando a realidade do município. A sede, os distritos, bairros, vilas e interior.
3.    Escolaridade. Atualmente para qualquer emprego se exige um mínimo de escolaridade. Na política este mínimo poderia ser o segundo grau, sem se falar nos rudimentos da informática.
4.    Empreendorismo. Ser observador e administrador. Enxergar a possibilidade e decidir-se por ela.
5.    Praticidade.  Não perder-se em conjeturas estéreis. Ser realista.
6.    Governabilidade. Ter uma sustentação social e política.
7.    Legitimidade. Esta significa que a negociação implicará numa aceitação da maior parte possível na qual todos e quase todos ganham.
O eleitor ainda deverá levar em conta outro aspecto. Se o candidato for para o executivo deverá preencher um perfil, se for para o legislativo outro. Para o executivo exige-se que o candidato seja um administrador, enquanto para o legislativo um negociador. Um deve ser gerente, outro fiscal. Os papéis não podem ser invertidos sob pena de nenhum deles cumprirem suas funções.  Um vereador não pode prometer que irá construir uma ponte, nem o prefeito dizer que vigiará os gastos da câmara de vereadores.


sexta-feira, 6 de julho de 2012

PODER E MORALIDADE. Selvino Antonio Malfatti






A Universidade Federal de São João Del Rei, Minas Gerais, através de seu departamento de Filosofia e Métodos, realizou em 2010 a XIII Semana de Filosofia, cujo tema foi o debate em torno da questão do totalitarismo e da moral. Participaram professores de todo Brasil e do exterior, mormente de Portugal. Os debates resultaram num livro intitulado ”Pode e Moralidade: o totalitarismo e outras experiências antiliberais na modernidade”, lançado neste ano pela Editora Annablume, de São Paulo. A coordenação do evento e a organização do livro couberam ao chefe do departamento da universidade, Prof. Dr. José Maurício de Carvalho. Assim se expressa o coordenador:

“Os capítulos do livro contribuem para entender o fenômeno totalitário, apontando os riscos do totalitarismo nos momentos de dificuldade econômica e crise social. Os organizadores do seminário consideraram fundamental a divulgação das diferentes abordagens do fenômeno, pois ao estudá-las fica-se em condição de melhor identificar seus riscos e os resultados de uma sociedade que saiu deles, ocupada com o existir concreta, vivendo os riscos da solidão na angústia da contingência de viver escolhendo o futuro. Daí diria o filósofo Albert Camus, o homem se descobre na incerteza da náusea e da desesperança, na angústia da liberdade que o condena à morte. Ele se vê perdido em seu desejo de compreensão racional numa realidade que se apresenta completamente irracional. A filosofia existencial deu voz às interrogações sobre o sentido da vida face à angústia, ao sofrimento e a morte. O existencialismo é a consciência dos horrores da Segunda Guerra e das ações dos governos totalitários.
No capítulo denominado A bioética e sua relação com os direitos humanos –uma contraposição ao Totalitarismo, Ricardo Silva e Napiê Silva aprofundam osignificado da liberdade tendo por referência as ideias de Hannah Arendt.
Selvino Malfatti fez ampla reflexão sobre o totalitarismo. Ele lembra que o eixo central da moralidade ocidental é a pessoa humana. O fenômeno totalitário,esclarece, é experiência recente da história política do ocidente e constitui um desvio de rota da tradição principal.
José Carlos Souza Araújo traduz e comenta a transcrição da doutrina fascista escrita por Giovanni Gentile e Benito Mussolini para a Enciclopédia Italiana de Ciências, Letras e Artes de 1932. É um documento esclarecedor das idéias fascistas e não tinha tradução portuguesa o que realça seu valor.
No capítulo Absolutismo hobbesiano e totalitarismo, Adelmo José da Silva aprofunda a hipótese de Hannah Arendt. Ele explica que o totalitarismo é fenômeno do século XX, mas tem raízes antigas.

António Pedro Mesquita examina outra experiência antiliberal que antecedeu os estados totalitários no século XX: o tradicionalismo português. A falta de apreço pelo liberalismo começa no tradicionalismo.

Ernesto Castro Leal apresentou importante esclarecimento sobre o destino histórico do tradicionalismo dissociando-o do catolicismo. Ele estuda a crítica do Pe. Abel Varzim aos movimentos totalitários lusitanos.

O filósofo espanhol José Ortega y Gasset foi importante crítico do totalitarismo. Para ele, o fenômeno totalitário é típico da sociedade de massas que se estabeleceu na Europa no final do século XIX.

No capítulo denominado Herbert Marcuse: totalitarismo e tecnologia, Antônio Carlos Trindade da Silva comenta as teses do conhecido representante da Escola de Frankfurt. Ele esclarece que Marcuse entende o Estado Totalitário como variante do Liberal.

No capítulo que elaborou sobre Hannah Arendt, Odílio Alves estudou a opção arendtiana de empregar o conceito beleza para examinar o fenômeno político.

José Luís de Oliveira também examinou o pensamento político de Hannah Arendt. Ele mostra que a liberdade política é o elemento estruturante da meditação arendtiana, aproximando-a de seu mestre Karl Jaspers.

Paulo César de Oliveira examina a contribuição de Lévinas para o estudo do totalitarismo. Para o filósofo o fenômeno totalitário tem raiz numa ontologia onde o ser é tudo."

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O IMPEACMENT DE LUGO NO PARAGUAI. Selvino Antonio Malfatti









O presidente deposto do Paraguai, Fernando Lugo, nasceu em 1951, de família humilde. Cedo ingressa no noviciado dos Missionários do Verbo Divino. Faz seus estudos de licenciatura na Unversidad Católica Nuestra Señora de La Asunción. Trabalhou no Equador como missionário. Conhece Leonidas Proaño, expoente da Terologia da Libertação, a qual passa a professar. Em seguida aprimora seus estudos na Universidade Gregoriana, em Roma. Ao regressar ao Paraguai é nomeado bispo da diocese de San Padro, por João Paulo II em 1994. Com os brasileiros, Frei Beto, Leonardo Boff e D. Helder Câmara, mantém ininterruptos contatos, pois todos são adeptos da ideologia da Teologia da Libertação. À medida que toma parte na política vai se afastando da religião até que a Igreja em 2004 o aposentou com o título de “bispo emérito”. Lidera o movimento Resistência Cidadã reunindo partidos de oposição, sindicatos e associações. Com a participação do movimento do “Movimiento Paraguai Possivel” estava praticamente decidida sua candidatura à presidência que ocorreu em 2008. Por não esperar a resposta do Vaticano ao pedido de renúncia sacerdotal é suspenso “a divinis” por Bento XVI.
A opinião mundial, mormente a da América Latina, está dividida quanto à classificação do que aconteceu no Paraguai: golpe ou impeachment. Quem opta pelo impeachment considera o que aconteceu um ato constitucional legítimo. Quem pensa o contrário entende que o Congresso agiu de forma ditatorial. Reflitamos um pouco.
Conforme a Constituição paraguaia, a iniciativa para o impeachment deve partir da Câmara dos deputados por dois terços de votos e a decisão caberá ao senado por maioria absoluta de dois terços. Tudo isso se cumpriu. A decisão do senado, com 45 integrantes, teve 39 votos a favor, 4 contra e dois não compareceram. Como se percebe, praticamente foi unânime. Todo ele ocorreu dentro da normalidade constitucional, sem nenhum golpe, respeitando o estado de direito. O único senão foi a rapidez ou pouco tempo para a defesa.
Mas afinal, o que pesava sobre a cabeça do presidente deposto Fernando Lugo?
Basicamente são: aumento da criminalidade no país, a insegurança dos fazendeiros, uso de instalações militares para fins políticos, assinatura do protocolo de Ushuaia. O motivo imediato foi o confronto entre policiais e sem-terras que aconteceu na fazenda de Curuguaty. Um grupo de policiais que iria negociar a desocupação da fazenda para reintegração de posse foi recebido a tiros. Seis policiais e onze sem-terra foram mortos. Em vez de tomar medidas urgentes e enérgicas, Lugo permaneceu apático.
Quanto o protocolo de Ushuaia pesa a acusação de permitir arranhões à soberania nacional, pois permitia uma intervenção externa da parte da União das Nações Sul-americanas – Unasul. Por trás desta organização está Hugo Chavez da Venezuela que pretendia ou pretende uma liderança regional.
Como ocorreu politicamente este impeachment? Lugo elegeu-se com o apoio do Partido Liberal em 2008, vencendo seu adversário com aproximadamente quarenta e um por cento dos votos, no entanto, seu partido perdeu no Congresso ficando com minoria parlamentar. Para suprir esta derrota teve que fazer uma coligação com um partido socialista. Após retirada do apoio socialista, o presidente ficou sem base congressual e diante disso foi fácil à oposição iniciar e concluir o processo de afastamento. 
A votação na Câmara aconteceu no dia 21 de junho resultando na aprovação do impeachment. Até mesmo parlamentares de seu partido ou coalizão votaram contra Lugo. No Senado teve lugar no dia 22 do mesmo mês, um dia depois. Lugo ainda tenta através de recurso de inconstitucionalidade, mas a Suprema Corte rejeitou o pedido. Com isso está selada a sorte do ex-presidente. A força como último recurso parece que está afastada para ambas as partes. E a rapidez do afastamento talvez tenha sido a fórmula para repudiá-la.



sexta-feira, 15 de junho de 2012

RIO+20 E O PLANETA QUE QUEREMOS. Selvino Antonio Malfatti






No período de 13 a 22 de junho, do corrente ano, na cidade o Rio de Janeiro está sendo realizada a Rio +20 - a Conferência das Nações Unidas - sobre o Desenvolvimento Sustentável. Estão presentes 193 Estados-membros da ONU, chefes de Estados e de Governos, milhares de participantes dos setores mais representativos da sociedade civil. Calcula-se em torno de 50 mil participantes. Há um congraçamento entre nações, governos e sociedade com o objetivo de encontrar soluções para conciliar desenvolvimento e preservação do meio-ambiente.
Após 20 anos passados da Cúpula da Terra, realizada também na cidade do Rio de Janeiro, pretende-se agora fazer um feedback do que foi feito e projetar um futuro melhor para os próximos vinte anos. O foco principal é como reduzir a pobreza, promover a justiça social e simultaneamente preservar a natureza ou mesmo incrementá-la. Os desafios são enormes, pois estamos diante de um planeta sempre mais habitado que requer alimento, civilização, cultura, lazer, tecnologia e experimentos.
O Coordenador Executivo da Conferência, Brice Lalonde, entende que esta é uma oportunidade histórica por ter conseguido congregar tantos estados, pessoas e organizações com o objetivo de encontrar idéias que possam promover um futuro sustentável, isto é, pacificar posições aparentemente antagônicas, como desenvolvimento e preservação.
Para tanto a Conferência se concentrará em dois temas eixo: 1. A economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza. 2. Quadro institucional para o desenvolvimento sustentável.
Há, no entanto, alguns senões. Entre eles é a ausência do governo norte-americano e chinês.  Além disso, não há confirmação da presença do governo da Alemanha e Reino Unido. E coincidentemente são os que mais poluem. 
Como contrapeso, confirmaram presenças os governos da Rússia,.o presidente eleito da França e o Presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso.
O que conseguiram as conferências anteriores? A primeira de 1972 e a segunda em 1992, esta denominada Eco – 92? Da primeira, em Estocolmo, se pode dizer que ficou e continua sendo perseguido como ideal genérico, o ambientalismo, como se dizia na época e agora se chama sustentabilidade. Compareceram apenas dois chefes de Estado. Já na segunda Conferência a mesma idéia continua sendo centro de debates, então chamada de ecologia, na Eco - 92.  Já nesta compareceram 108 chefes de Estado e de governos. Apesar de as agressões à natureza continuarem, como o caso da concentração de gases, causando o efeito estufa e redução da biodiversidade, a Eco – 92 motivou as empresas a se engajarem na preservação ambiental. Com isto a idéia de preservação do meio ambiente tornou-se adulta e terá muito mais vigor nesta do Rio + 20, mormente porque ganhou um poderoso aliado, o consumidor que passou a dar preferência a produtos não poluentes.
O que vai acontecer nos próximos vinte anos?
Uma coisa é certa: a natureza não distingue categorias: econômicas – ricos ou pobres; educacionais – instruídos ou analfabetos; religiosos – santos ou pecadores; políticas – governantes e go ou castigo. E tem quem aposta nisso. E o pior, se dá bem.
É bom pensar!overnados. Perante a natureza todos são iguais. E pior: a natureza recompensa e castiga indiscriminadamente. Não é por que o Brasil age sustentavelmente que será recompensado, nem por que os USA poluem serão castigados. A natureza não discrimina prêmio ou castigo. E tem quem aposta nisso. E o pior, se dá bem.
É bom pensar!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

BENILDE, NOSSA IRMÃ. Selvino Antonio Giovanella Malfatti












Neste domingo próximo na localidade de Batuvira, distrito do município de Progresso, do Rio Grande do Sul, a comunidade estará em festa. É que uma filha deste lugar completará 60 anos de vida religiosa. O nome que os pais lhe deram é ADELINA ALBINA GIOVANELLLA e o nome que ela escolheu como religiosa é IRMÃE BENILDE.
Filha de José Giovanella e de Maria Letícia Salton Giovanella nasceu no então município de Marques de Souza. Compartilhou a fraternidade com 10 irmãos, dentre os quais três homens e sete mulheres. Cursou seus estudos superiores em Lages, Santa Catarina, logrando o título de bacharel em Contabilidade.  Sua atuação profissional foi na área de Administração, destacando-se atividades em Florianópolis, Rio de Janeiro, Curitiba e Lages. Atualmente reside em São Bento do Sul, Santa Catarina.
O que será que leva uma pessoa a optar pela vida religiosa? Em todas as religiões há pessoas que deixam a vida comum e encaminham-se para atividades religiosas. Acontece no judaísmo, islamismo, budismo e não poderia deixar de ser no cristianismo.  Conforme o testemunho da Irmã Benilde “é um chamado de Deus”
O que estas pessoas têm em comum e o que têm de diferente com os que seguem a vida dita normal. Em comum, as pessoas que se dedicam à vida religiosa, têm uma grande sensibilidade com o sobrenatural e necessidade de ajudar seus semelhantes. Diz Irmã Benilde: “por uma vida de doação aos irmãos necessitados”. Estas pessoas gostam da atmosfera do divino, do místico, do sobrenatural. Ao mesmo tempo vêm seus semelhantes com outros olhos. Enxergam neles algo de divino, de um valor que extrapola o natural e eleva-se ao plano espiritual. Isso é tão forte e marcante que acompanhará pelo resto da vida. Conforme Benilde: “Se tivesse que reassumir minha vocação hoje, o faria da mesma forma, somente na época de hoje.” Isto faz com que após 60 anos de vida religiosa possa dizer: “realizada por ter respondido o convite de Deus”. Isto não quer dizer que tudo tenha sido um mar de rosas. Ela mesma salienta que houve um fato marcante na vida dela, “uma experiência de quase morte que tive, e após revivi”. Após todos estes anos dedicados a Deus e ao próximo ela confessa que não teve nenhuma aspiração não realizada e, portanto está plenamente feliz.
A vivência do religioso na vida social caracteriza-se por ter atitudes diferentes para com os semelhantes. Compreendem-nas, consolam-nas e as valorizam. O religioso impregna o ambiente onde está com uma áura espiritual e todos os que dele se acercam sentem-se imantadas por esta energia. Na presença de um religioso temos a sensação de que Deus anda por perto. A pessoa do religioso é a presença física daquele em quem acreditamos. Ela nos traz o invisível para o mundo visível, a fala do silêncio, a certeza da dúvida.
O religioso está entre nós é igual e diferente. Diferente por causa do olhar que têm para a realidade circundante. Ele enxerga o que os demais não percebem. São como pessoas que, usando óculos especiais, podem enxergar no escuro. E o inverso também é verdadeiro. Elas não enxergam muitas coisas que pessoas normais vêem. È por isto que surgem às vezes atritos entre os de vida religiosa e leigos.
Penso que foi Francisco de Assis que conseguiu expressar o que é uma vida religiosa. O religioso tem por meta por toda sua vida.
Senhor: Fazei de mim um instrumento de vossa Paz.
Onde houver Ódio, que eu leve o Amor,
Onde houver Ofensa, que eu leve o Perdão.
Onde houver Discórdia, que eu leve a União.
Onde houver Dúvida, que eu leve a .
Onde houver Erro, que eu leve a Verdade.
Onde houver Desespero, que eu leve a Esperança.
Onde houver Tristeza, que eu leve a Alegria.
Onde houver Trevas, que eu leve a Luz!”


Esta é uma singela homenagem que nós irmãos, cunhados, sobrinhos, netos, bisnetos e a comunidade te fazemos, BENILDE: nossa irmã. UM ABRAÇO.



sábado, 26 de maio de 2012

A UNIVERSIDADE E A EDUCAÇÃO NÃO SÓ, MAS TAMBÉM POLÍTICA. Selvino Antonio Malfatti.


RESUMO: Neste artigo vou discorrer sobre o papel da universidade no aprimoramento da cidadania. Esta, claro, deve ter sua formação no primário e secundário, mas é na universidade que se completa. Como?



Estamos novamente diante de uma greve da universidade pública brasileira. E é de grandes dimensões. Os dirigentes atuais das universidades e da educação eram os que anteriormente incitavam abertamente as greves no meio universitário e agora estão na incômoda situação de contê-la e solucioná-la. Mas, afinal, o que há com a universidade?
Penso que ainda não sabemos bem para serve a universidade. Será para formar profissionais, pesquisadores, políticos? Antes da nossa independência a elite intelectual brasileira se formava em Portugal, principalmente na universidade de Coimbra. Depois, até a década de Vinte do século passado, na universidade francesa. Será somente então que surgirá a universidade pública no Brasil. Entretanto, foi só no período de Getúlio que começaram surgir os grandes complexos universitário, as PUCs, católicas.
Neste artigo vou discorrer sobre o papel da universidade no aprimoramento da cidadania. Esta, claro, deve ter sua formação no primário e secundário, mas é na universidade que se completa. Como?
Na universidade, os acadêmicos iniciarão a prática da cidadania. Na academia, entrarão em contato com profissionais altamente qualificados, a elite intelectual da sociedade: os professores. Relacionar-se-ão com funcionários de carreira pública e conviverão com colegas na mesma situação intelectual e de cidadania. Nesse ambiente, a cidadania se tornará o móvel da interação.
Na universidade, além da prática da cidadania, os acadêmicos iniciarão a prática política no mais amplo sentido.  Aprenderão, concretamente, a democracia nas salas de aula, em assembléias, nos conselhos, nos órgãos de representação estudantil bem como nos de outras categorias: professores e funcionários. Vivenciarão o funcionamento da democracia e poderão a distingui-la de outros regimes. Aprenderão a distinguir política e ciência. É o balizamento ético do agir universitário.
Sabe-se que, entre todas as formas de deturpação política, com certeza, o fascínio da maioria pode ser a desculpa para justificar os fins pelos meios. Contudo, uma minoria organizada, diante de uma maioria desorganizada, pode aprovar propostas populistas como discriminação racial, projetos sexistas ou patrulhamento ideológico
Uma das prerrogativas mais importantes na universidade para evitar a tirania, muitas vezes disfarçada de democracia, é a liberdade de cátedra. Este não é um direito universal do cidadão, nem um contrato empregatício dos funcionários da universidade, mas um direito especial, afeto ao ofício acadêmico. De diversas formas esta liberdade de cátedra poderá ser atingida. A mais comum é a econômico-financeira que, por sua vez, também pode ser afetada por vários métodos: corte de verbas, pressão para que seja desenvolvida esta pesquisa e não aquela, ou com esta direção e não naquela, contratos celebrados com empresas particulares desde que sejam pesquisados determinados objetivos e não outros. Quanto mais minuciosos os contratos de pesquisa, mais restrições proporcionarão à liberdade.
Também, na universidade, o cidadão acadêmico, continuamente, deverá superar a aporia da liberdade e igualdade. Terá sempre que se perguntar, em qualquer tomada de decisão, se uma não está sufocando outra. Se tiver dúvida, optará pela liberdade, pois com liberdade se atinge a igualdade, mas nem sempre pela igualdade se atinge a liberdade.
Contudo, a educação do cidadão não se esgota com a universidade, do mesmo modo que não inicia com a escolarização. Mesmo antes da escola e concomitante a ela, o cidadão assimila, na convivência social, valores que posteriormente o acompanharão para sempre. E, após sua formação formal, no ensino médio ou no superior, encontrará nesse convívio, inúmeras oportunidades de aperfeiçoamento para o exercício da cidadania ética. Assim, quando ingressar na política, não precisará tornar-se ético, porque já o é como cidadão.


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