quinta-feira, 30 de maio de 2019

COLÓQUIO DE EDUCAÇÃO BRASIL-PORTUGAL, ANTERO DE QUENTAL. Selvino Antonio Malfatti

















Realizar-se-á na Universidade Federal de Juiz de Fora (MG), de 3 a 7 de junho, o XIII Colóquio Brasil-Portugal, congregando estudiosos brasileiros e portugueses para analisar e refletir a filosofia da educação luso-brasileira. O evento estará aberto ao público, sendo que as inscrições poderão ser feitas no dia, na secrataria da universidade.
A secretaria do evento estará na UFJF. O secretário do evento será o Prof. Humberto Coelho e a inscrição poderá ser feita on line no site do evento http://anterodequental.wixsite.com/2019.


PROGRAMAÇÃO

2ª-feira - 03/06/2019

09h – Abertura oficial do evento
Mesa de abertura e Homenagem ao Dr. Ricardo Vélez Rodríguez. Saudação pronunciada pelo jornalista Lucas Berlanza, Presidente do IL e autor de vários livros e o Prof. José Mauricio de Carvalho, (UNIPTAN) organizador do evento;
Outros participantes da mesa: Dr. José Afrânio Vilela (TJMG), Dr. Ricardo Vélez Rodríguez (Ministro da Educação), Dr. Alberto Diniz Presidente da AMAGIS, Dr. José Esteves Pereira, Instituto de Filosofia Luso-brasileira.
10 h - Conferência de abertura: 1973-2018: 45 anos estudando o pensamento brasileiro
Dr. Ricardo Vélez Rodríguez –UFJF e Instituto de Filosofia Luso-Brasileira.
Ministro de Estado da Educação
11 h – O nascimento da problemática social no Brasil
Dr. Arsênio Correa – IBF
Debatedor – Dr. José Carlos Rodrigues – UFJF
12 - 14 h - almoço
14 h – A gênese da problemática brasileira: Reale, Soveral e Paim
Dr. Alexandro Souza – Prof. do Estado do Espírito Santo.
Debatedor – Dr. Arsênio Correa – IBF
15 h – O conceito de patrimonialismo em Ricardo Vélez Rodríguez
Dr. Humberto Coelho - UFJF
Debatedor: Dr. José Afrânio Vilela – TJMG
16 h – A recepção dos doutrinários e de Tocqueville por Ricardo Vélez
Dr. Marco Antônio Barroso - UEMG
Debatedor: Dr. Luciano Caldas Camerino
17 – Diagnose filosófica a partir da literatura, segundo o pensamento de Ricardo Vélez
Prof. Bernardo Goytacazes Araújo – Chefe de Gabinete da Prefeitura de Três Rios
Debatedor – José Carlos Rodrigues – UFJF
18 h – Ricardo Vélez e as ideias liberais no Brasil
Dr. Luciano Caldas Camerino – UFJF
Debatedor: Prof. Bernardo Goytacazes Araújo – Chefe de Gabinete da Prefeitura de Três Rios
3ª-feira – 04/06/2019
As filosofias da educação – momento colonial
9 h – A filosofia da educação lusitana no ensino colonial
Dr. Lúcio Marques – UFTM
Debatedor: Dr. Samuel Dimas – Universidade Católica Portuguesa
10 h – Sobre os currículos e o ensino da filosofia e da teologia no Brasil colonial
Dr. Roberto Hofmeister Pich – PUCRS
Debatedor: Dr. Lúcio Marques - UFTM
11 h – A filosofia da educação da Ratio Studiorum e sua aplicação no Brasil Colônia
Dr. Delmar Cardoso – FAJE
Debatedor: Dr. Roberto Pich – PUCRS
12 - 14 h - almoço
Filosofias da educação e formação do homem no pensamento brasileiro e português nos séculos XIX e XX.
14 h – A filosofia da educação do Pe. Antônio Vieira
Prof. Adelmo José da Silva Filho e Dr. Adelmo José da Silva – UFSJ
Debatedor: Dr. Adelmo José da Silva – UFSJ
15 h – A filosofia da educação em Teodoro de Almeida (1722-1804)
Dra. Marta Mendonça – Universidade Nova de Lisboa
Debatedor: Dr. Delmar Cardoso - FAJE
16 h – Uma filosofia da educação em Cecília Meireles (1901-1964)
 Dr. Selvino Malfatti – UFSM
17 h – Perspectivas morais e pedagógicas de Jean Marie Guyau no
pensamento português (1854-1888)
Dr. José Esteves Pereira – Universidade Nova de Lisboa
Debatedor: Dr. Renato Epifânio – Instituto de Filosofia da Universidade do Porto
18 h – A filosofia da educação de Leonardo Coimbra (1883-1936)
Dr. Manuel Cândido Pimentel – Universidade Católica Portuguesa
Debatedor: Dr. Luís Miguel dos Santos Sebastião – Universidade de Évora
4ª- feira – 05/06/2019
9 h - A filosofia da educação de Leonardo Van Acker (1896-1986)
Dr. Silvio Firmo do Nascimento – UNIPTAN
Debatedor: Prof. Sergio Mauro de Carvalho Tomáz – Prof. do Estado de MG
10 h – A filosofia da educação de Anísio Teixeira (1900-1971)
Dr. Paulo Roberto Andrade de Almeida – UFSJ
Debatedor: Dr. José Carlos Rodrigues
11 h – Uma filosofia da educação em Cecília Meireles (1901-1964)
Dr. Selvino Malfatti – UFSM
Debatedor: Dr. José Afrânio Vilela (TJMG)
12 - 14 h - almoço
14 h – ‎O horizonte último da formação do humano em José Marinho (1904-1975)
Dr. Renato Epifânio – Instituto de Filosofia da Universidade do Porto
Debatedor: Dr. Humberto Coelho – UFJF
15 h – Filosofia da educação do Pe. Manuel Antunes (1918-1985)
Dr. Samuel Dimas – Universidade Católica Portuguesa
Debatedor – Dr. Delmar Cardoso – FAJE
16 h – Florestan Fernandes: desafio educacional como perspectiva de futuro (1920-1995)
Dra. Francisca Eleodora Santos Severino - Universidade Nove de Julho
Debatedor: Dr. Adelmo José da Silva - UFSJ
17 h – Educação e revolução: uma análise crítica da proposta de libertação dos oprimidos em Paulo Freire (1921-1997)
Prof. Mauro Sérgio de Carvalho Tomaz – Prof. Do Estado de MG
Debatedor: Dr. Paulo Roberto de Andrade – UFSJ
18 h – Lima Vaz e a filosofia da educação (1921-2002)
Dra. Claudia Maria Rocha de Oliveira – FAJE
Debatedor: Dr. Samuel Dimas – Universidade Católica Portuguesa
5ª-feira – 06/06/2019
9 h – A filosofia da educação de Darcy Ribeiro (1922-1997)
Dr. Adelmo José da Silva – UFSJ e Dr. Paulo Roberto Andrade de Almeida – UFSJ
Debatedor: Dr. Paulo Roberto Andrade de Almeida - UFSJ
10 h – A busca da identidade da filosofia da educação no Brasil: o pionerismo de Dumerval Trigueiro Mendes (1927-1987)
Dr. Antônio Joaquim Severino – USP e Universidade Nove de Julho
Debatedor: Dr. Manoel Cândido Pimentel – Universidade Católica Portuguesa
11 h – A filosofia da educação de Eduardo Abranches de Soveral (1927-2003)
Dr. Antônio Braz Teixeira – Universidade de Lisboa
Debatedora: Dra. Marta Mendonça – Universidade Nova de Lisboa
12 - 14 h - almoço
14 h – A filosofia da educação de Leonardo Prota (1930-2016)
Dr. José Mauricio de Carvalho – UFSJ e UNIPTAN
Debatedor: Dr. José Esteves Pereira – Universidade Nova de Lisboa
15 h – Cogito antropológico e formação humana no pensamento de Manuel Ferreira Patrício (1938)
Dr. Luís Miguel dos Santos Sebastião
Debatedor: Prof. Bernardo Goytacazes Araújo
16 h – Ricardo Rodríguez: por uma educação guiada pelo liberalismo (1943)
Dr. Sandro Dau - UFES e Profa. Shirley Dau - UFSJ
Debatedor: Profa. Shirley Dau - UFSJ
17 h - Metifilia educacional Apac
Dr. Luís Carlos – TJMG
Debatedor: Dr. Humberto Coelho
6ª-feira – 07/06/2019
9 h – Debate Público sobre “As ideias de Lusofonia no Brasil”
11 h -Apresentação da revista Nova Águia e de outras obras MIL/ IFLB
Dr. Renato Epifânio – Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono e Director da

DELEGAÇÃO BRASILEIRA
1.1 Prof. Dr. Adelmo José da Silva
Universidade Federal de São João del-Rei - UFSJ
João Del-Rei - UFSJ.

1.2. Prof. Adelmo José da Silva Filho
Universidade Federal de São João del-Rei - UFSJ

1.3. Dr. Alexandro Ferreira de Souza
Rua Dr. Adir Gomes, 167/301


1.4 Prof. Dr. Antônio Joaquim Severino
Prof. Aposentado da Universidade de São Paulo – USP

1.5 Prof. Dr. Antônio Paim
Membro do Instituto de Humanidades e do Instituto Brasileiro de Filosofia - IBF

1.6 Prof. Dr. Arsênio Eduardo Corrêa
Membro do Instituto Brasileiro de Filosofia - IBF

1.7 Bernardo Goytacazes de Araújo
Rua Pedro Braz da Silva, 60 – casa 61

1.9 Prof.ª Dra. Constança Marcondes César
Universidade Federal de Sergipe - UFS

1.10 Prof. Dr. Humberto Schubert Coelho
Instituto de Ciências Humanas e Letras
.
1.11 Prof. Dr. Ivan Domingues
Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG

1.12 Prof. João Paulo Rodrigues Pereira
Faculdade Dom Luciano Mendes, (FDLM).

1.13 Desembargador José Afrânio Vilela
Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG)

1.14 Prof. Dr. José Maurício de Carvalho
Professor Titular aposentado da Universidade Federal de São João del-Rei - UFSJ

1.15. Dr. Marco Antônio Barroso Faria
Prof. da Universidade do Estado de Minas Gerais – UEMG

1.16 Prof. Paulo Roberto Andrade de Almeida
Universidade Federal de São João del-Rei - UFSJ

1.17 Prof. Dr. Ricardo Vélez Rodríguez
Prof. Aposentado da Universidade Federal de Juiz de Fora

1.18 Dra Regina Coeli Barbosa Pereira
Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF

1.19 Dr. Roberto Hofmeister Pich
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

1.20 Profa. Dra. Rosilene de Oliveira Pereira
Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)

1.21 Prof. Dr. Selvino Antônio Malfatti 
Prof. Aposentado da Universidade Federal de Santa Maria - UFSM

1.22 Prof. Dr. Silvio Firmo do Nascimento
Centro Universitário Presidente Tancredo Neves - IPTAN


DELEGAÇÃO PORTUGUESA

2.1. Prof. Dr. Antônio Braz Teixeira
Universidade Lusófona – Portugal,2.2. Prof. Dr. Renato Manuel Laia Epifânio
Universidade do Porto
.
2.3. Prof. Dr. Samuel Fernando Rodrigues Dimas
 Universidade Católica Portuguesa - UCP

2.4. Prof. Dr. José Esteves Pereira
Universidade Nova de Lisboa - UNL

2.5. Prof. Dr. Manuel Cândido Pimentel
Universidade Católica Portuguesa - UCP
Instituto de Filosofia Luso-Brasileira




sábado, 25 de maio de 2019

BENS NEM DE MERCADO NEM DE ESTADO. Selvino Antonio Malfatti - Instituto Luso-brasileiro de Filosofia. Lisboa.



Poucos se detêm para refletir sobre uma faixa de bens que precedem e supõem os bens de mercado ou de Estado. São os bens proto-mercantis e meta-estatais. Os bens de mercado, sabemos, são negociáveis, têm preço, estão à venda e à compra. No entanto, existe um conjunto de bens, que são valiosíssimos, mas não se compram, nem se vendem, pois são anteriores e a cima dos bens de mercado. Numa comparação, assim como o Direito possui direitos pétreos, isto é, imutáveis, alheios à negociação, assim também existem os proto-bens e os meta-bens. São bens intocáveis pelo Estado e fora de objeto de exploração do mercado.
Entre os proto-bens incluem-se o ar que se respira, a água in natura, terra. São os elementos essenciais identificados pelos filósofos gregos pré-socráticos. Assim, pode-se ver que Tales de Mileto, viu na água a origem de tudo. Anaximandro privilegiou o ápeiron, o indefinido. Anaxímenes, descobriu o ar e Heráclito o fogo, a energia e Xenófanes, a terra.
Aqueles que poluem a água, envenenam o ar ou exaurem a terra estão atingindo bens fora do controle do Estado e objeto de mercado. Fazem isso sem custo e em detrimento de todos. Pode-se incluir a impotência do mercado ou a incompetência do Estado quanto à escassez de determinados bens como a água, agricultura e petróleo. A sugestão de esperar, pois os custos de substituição são muitos elevados, como a dessalinização da água do mar está nos levando para uma situação limite. Mas é possível ainda procrastinar?
O certo é que no embate entre mercado e estado, configura-se um desenvolvimento insustentável e suicida e até o momento a conta é creditada ao déficit ecológico. Os economistas lançam alerta, mas o mercado brinca de cego e o Estado faz olho grosso Afirmando que os recursos são inesgotáveis. O agravante vem com a explosão demográfica no mundo: Hoje somos mais de sete e em 2050 ultrapassaremos a marca de nove bilhões.
A combinação desastrosa entre ecologia e demografia eclodiria com uma mudança climática, já diversas vezes ensaiada aqui e acolá, na superfície da terra, como ocorreu com Poluição em Minemata, Explosão em Seveso, Vazamento em Bhopal, Desastre de Chernobyl ou Mariana e Brumadino no Brasil? Imaginemos o que poderia acontecer na Índia se as monções invertessem de direção ou desaparecessem? Quem poderia superar os efeitos? O mercado ou o Estado?
O pior poderá estar por vir: a combinação de desastres, como demografia e ecologia, por exemplo. Ninguém conseguirá deter a hecatombe de um desastre numa localidade superpovoada. Todos os órgãos que num período normal funcionam harmonicamente, com o desastre passariam a funcionar de forma contraditória. As marés com fluxos e refluxos se avolumariam e invadiriam a terra. Os ventos varreriam tudo o que encontrassem pela frente. A energia elétrica provocará incêndios; os rios em vez de transportar, inundam; a água potável se mesclará com óxidos; os aeroportos virariam entulhos; os hospitais se tornariam centros de disseminação de vírus infecciosos. Será o cenário do “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago. 

sexta-feira, 17 de maio de 2019

A universidade e seus caminhos.José Mauricio de Carvalho – Academia de Letras de São João del-Rei.



A universidade pública brasileira está sofrendo ataques nas mídias sociais por parte de apoiadores do atual governo. O que ali se observa resulta de cada um postar qualquer coisa, não importa se descabida, grosseira, inadequada ou pior, baseada em falsas notícias ou numa perspectiva míope da realidade.
Ter opinião em assuntos públicos não é problema, a democracia se constrói com elas, mas isso somente é verdade quando essas opiniões se estabelecem sobre fatos e buscam esclarecer as diferenças. Apenas nesses casos o debate e as opiniões diferentes podem produzir algo bom para uma sociedade. Porém não é isso o que está acontecendo, especialmente desde as últimas eleições: a mentira, a violência, as falsas notícias se tornaram comuns.
As discussões são importantes porque instruem a opinião pública numa democracia. Porém se não houver um debate respeitoso, reconhecendo as posições do outro, não se cria um ambiente razoável, pois em que pese diferenças internas uma nação precisa de consensos e não pode viver fraturada. Porém, o que vemos nessas críticas à universidade é a insinceridade, a desonestidade, a mentira e o ódio. Isso estimulado por um indivíduo intelectualmente medíocre, mas guindado a superstar por gente do governo e aos quais parece boa estratégia vilipendiar as pessoas de quem discorda.
No caso em questão, o problema não é essencialmente o corte de verbas, dificuldades financeiras podem levar a isso. O que é terrível é que o governo tente justificar esses cortes, desqualificando o que se faz nas instituições públicas de ensino superior. E essa decisão lamentável dos governantes mobilizou certo número de seguidores que se manifestam favorável ao governo, não importa a matéria e a forma. Parece que essa é a forma mais simples de ser estúpido. Outro dia verifiquei que, em duas horas, um indivíduo replicou mais de trinta notícias falsas envolvendo as universidades.
Não se pode dizer que a universidade brasileira esteja acima de erros, coisas inadequadas ocorrem dentro de seus muros. Em todos os lugares há gente decente e outras nem tanto. No entanto, quando o coronel do exército responsável pela guarda de armamento no Rio de Janeiro foi pego desviando armas, não surgiram postagens dizendo que não se comprasse mais armas para o exército. E o que dizer dos militares que fuzilaram uma família honesta matando o chefe, um músico trabalhador e honesto? O que faz um agente público em situações assim é corrigir erros, identificar e punir responsáveis e não destruir uma instituição importante pelo erro de um de seus membros.
No caso em questão, a universidade pública brasileira é responsável não apenas pelo ensino de qualidade, seus cursos estão entre os melhores do país, mas também é ela a grande promotora da pesquisa científica sistemática, ela mantém os melhores cursos de pós graduação, além das ações de extensão. Note-se que o Brasil não é como outros países que, além das Universidades, possuem muitos e diferentes institutos de pesquisa. Prejudicar o funcionamento da universidade irá afetar o ensino, as pesquisas e produtos fundamentais para o futuro da sociedade brasileira.
Nesse sentido, a sociedade precisa se mobilizar para defender a instituição, o que vai além de reclamar recursos que a mantenha funcionando corretamente. Creio que isso pode começar a ser feito, pesquisando a massa de teses ali desenvolvidas, verificando os serviços prestados e os resultados das avaliações dos estudantes que frequentam o ensino público universitário. A apreciação honesta desse trabalho é a maior arma contra a mentira, o ódio e a propaganda ideológica que desaparelha o país para enfrentar os novos desafios que a vida traz.




sexta-feira, 10 de maio de 2019

«Filosofia abre a mente, entra em todas as escolas » - Selvino Antonio Malfatti


                                 A Filosofia, de Rafael. Museus do Vaticano.


Enquanto o Brasil vai na contramão da História pretendendo sufocar o ensino da Filosofia, em outros países, há um incremento para expansão da Filosofia, como comprova o APELO nascido no meio acadêmico da Itália.


Diz Ida Bozzi, autora do comentário sobre o APELO, «Filosofia abre a mente, entra em todas as escolas ». Este  é um Manifesto" promovido pelos professores italianos do ensino médio, Marco Ferrari e Gian Paolo Terravecchia. Em dois dias dezenas de adesões de professores universitários, acadêmicos e empresários.
Uma iniciativa lançada nesta semana e já obteve as assinaturas de noventa professores universitários e dezenas de professores do ensino médio. Pretende que a "Filosofia seja adequadamente reconhecida no exame do Estado", isto é, de maturidade e "inserida em todos os currículos escolares", incluindo os técnicos e profissionais.
Por quê? "Porque forma homens capazes de exercer crítica", "porque abre a mente do homem para libertar o pensamento" e "porque nos faz lembrar que a ciência e a tecnologia são para o bem do homem". Estas são apenas algumas das muitas razões dadas no manifesto.
Entre os primeiros signatários da iniciativa estão nomes de filósofos como Donatella Di Cesare, Carlo Sini e Silvano Petrosino, mas também personalidades como o psicanalista Massimo Recalcati e empresários como Stefano Colli-Lanzi, assim como muitos professores aparecem. "É um movimento completamente apartidário,  vindo de baixo - continua Ferrari - com professores universitários e professores do ensino médio, e profissionais, empresários e todos aqueles que reconhecem que na filosofia um" ponto de luz ", que ensina como tomar distância das coisas para entendê-las, ensinando o método de observação e a busca de causas: algo que já acontece em nossas aulas, com alunos, mas que acontece muito pouco na sociedade atual e, por exemplo, no debate político ”.
Um dos objetivos do Manifesto da filosofia propõe levar o estudo desta disciplina a todas as escolas: "Devemos ousar - continua Ferrari - e trazer a filosofia para todas as várias formas de educação dos jovens. Todos os alunos, mesmo aqueles que frequentam o instituto técnico, o profissional ou outros cursos de formação, devem ter a oportunidade de conhecer a grande riqueza da filosofia“.
Entre as primeiras conquistas, incluindo o lançamento nas redes sociais (o pôster tem página no Facebook e também pode ser lido no site: romanaedisputationes.com), os criadores indicam a conquista de 100 mil assinaturas, para depois levar o manifesto ao Ministério da Educação. .
"Mas a ideia é continuar a jornada", anunciam os criadores. Entre seus projetos está o de criar um evento nacional dedicado à filosofia no final do verão e que reúne o mundo da escola, a universidade, mas também as outras realidades que se mostraram particularmente sensíveis e interessadas na iniciativa, como o mundo do trabalho e dos negócios. (Jornal italiano Corriere della Sera, Seção Cultura, "L´Apello per la filosofia: «Entri in tutte le scuole" , di Ida Bozzi, acessado: 9/05/2019 >https://www.corriere.it/cultura/ - traduzido e adaptado por Selvino Antonio Malfatti)



sexta-feira, 3 de maio de 2019

Sete pequenas lições de Filosofia para tempos sombrios. José Mauricio de Carvalho - Academia de Letras de São João del-Rei



1ª. A Filosofia é guardiã da razão e como tal não se desprega da verdade que se observa nos fatos e nem da boa lógica de pensar. Dispensar de ensiná-la porque se vai gastar esse dinheiro com outras formações, com retorno financeiro imediato, é esconder que hoje no país pessoas com todas as formações estão entre as desempregadas, boa parte delas sequer pagam o FIES (índice do próprio governo) e não têm condição de levar para casa o seu sustento e nem de pagar imposto. Não é o dinheiro gasto nos poucos e baratos cursos de Filosofia que mudará esse cenário. Os profissionais que trabalham com a Filosofia e estão empregados, pagam, como todos os trabalhadores seus impostos. E também levam honestamente o sustento para suas famílias.
2ª. Reconhecida como guardiã da razão, a Filosofia é solidária da boa prática de pensar. Então é inadequado dizer que se vai ensinar alguém a escrever bem, na própria ou em outra língua, se não se ensinar a esse estudante, ao mesmo tempo, a pensar e a desenvolver bons argumentos. Por isso, o médico e filósofo Karl Jaspers lembrou que a Filosofia “é um ato de concentração pelo qual o homem se torna autenticamente no que é e participa da realidade”. E essa é também a razão pela qual a Unesco considera a Filosofia essencial na formação dos jovens.
3º. A boa prática de pensar implica não só no compromisso com a verdade, mas também na liberdade e capacidade crítica para pensar, negá-la aos estudantes é negar a mais essencial de todas as liberdades. Não faz sentido falar em liberdade de ir e vir, liberdade de empreender, liberdade de organização política, se não se ensina a primeira e a mais radical, a liberdade de pensar. E para ser livre e pensar criticamente é preciso estudo sistemático e planejado. Por isso, a tradição liberal nunca abriu mão do pensamento livre. Olhando a História se vê que apenas os tiranos, os ignorantes e os fanáticos temeram a Filosofia e o livre pensamento. Os bons governantes como Marco Aurélio, bem-sucedido e culto; dedicou-se à Filosofia. Não é necessário ser filósofo para ser político, mas os melhores escutam os filósofos e fazem questão de tê-los em sua companhia. 
4ª. A Filosofia não tem, como as ciências modernas, a tarefa de ensinar uma atividade prática imediata, mesmo essas ciências têm fundamento teórico que não prático e nem imediato. Contudo, a Filosofia ensina a mais essencial de todas as artes, a de viver, ensina que vida é procurar um sentido para ela mesma e para o mundo, sem os quais viver é triste, leva à depressão e outras doenças, como ensinou o médico e filósofo Viktor Frankl. Significado para a vida que se renova pela História e exige constante revisão e análise. Atualmente não se faz Filosofia sem considerar os resultados da Ciência.  Ao lado das Artes e das Religiões, a Filosofia ensina que sobreviver sem o belo, o bom e o justo não vale a pena. E mais, Religião que não respeita a boa prática da razão crítica se torna fanatismo, ignorância e leva a muitos males como temos visto no fanatismo religioso vestido de terrorismo espalhado pelo mundo. O físico Einstein, o mais brilhante dos cientistas no século passado, nunca abriu mão de suas crenças religiosas e nem de pensar filosoficamente. Miguel Reale, nosso maior jurista nunca deixou de cultivar a Filosofia, fato que o projetou internacionalmente. Por sua vez, experiência estética sem pensamento não se firma, as escolas de arte e literatura acompanham os movimentos da Razão pela História da Cultura. Leonardo da Vinci e seus contemporâneos da Renascença ensinaram que a ciência não pode se despregar das humanidades ou se empobrece.
5ª. Embora em Filosofia gente que nunca a estudou se considere em condições de opinar, porque ninguém está impedido de pensar, mesmo aqueles que não o fazem corretamente e contam apenas com opiniões mal fundamentadas, o bom uso da razão e os bons argumentos acabam, em algum momento, sendo reconhecido. É o que ensina uma tradição de 2600 anos iniciada na antiga Grécia. Portanto, quando os tiranos, fanáticos e ignorantes perseguem a Filosofia e/ou matam os filósofos, a Filosofia ressurge das cinzas. Isso ocorreu depois da morte de Sócrates, de Sêneca e de Giordano Bruno. Durante a história é mais longa a lista de filósofos perseguidos, dizia Voltaire no século XVIII. Homens como Baruch Spinoza, perseguido pela religião e Karl Jaspers, perseguido pela política nazista são mais comuns que filósofos reconhecidos.
6ª. A ilusão de que a simples prática da ciência produz progresso econômico e social, desvinculado das humanidades e, em especial da Filosofia, foi o erro da reforma e da geração formada no espírito do iluminismo pombalino. O empirismo mal justificado foi uma das razões importantes pelas quais o Brasil ficou com dificuldade e se apropriar dos valores modernos. Essas limitações do pombalismo, repetidas no positivismo mostram um pensamento que sob a capa de democrata e honesto, reflete as insinceridades e fake news. É esse positivismo mal ajeitado que está na raiz de nossa escola, instituição pouco dedicada a formação cidadã e a consciência social com tão mal resultados, mesmo no muito estudado campo das ciências.
7º. As disciplinas filosóficas estão nas bordas das ciências, ajudando-as a caminhar e a se desenvolver. Exemplos são a meditação ética entorno às pesquisas na área da saúde e no direito, da lógica nas engenharias, da metafísica nas discussões sobre a realidade, da História da Filosofia e Filosofia da História ao lado da História.
Nota: sombrios são os tempos de massas ignorantes onde prevalece a irracionalidade e a violência.


sexta-feira, 26 de abril de 2019

Notre Dame e a elite econômica. José Mauricio de Carvalho – Academia de Letras de São João del-Rei




               





                                                  Elite econômica                      Brasil  
França


                                                               
                               

                                                                                                                                                                  A Catedral Notre-Dame de Paris; tornou-se notícia no mundo inteiro porque foi atingida recentemente, durante sua restauração, por um grande incêndio que destruiu o telhado e provocou danos no teto. A Igreja é uma edificação medieval cuja construção foi iniciada em 1163, durante o reinado de Luís VII. Ela se situa na Île de la Cité, assim denominada porque foi construída numa pequena ilha pluvial bem no centro da capital da França. A catedral de Paris foi edificada no momento áureo do estilo gótico, erguida como monumento fundamental da fé católica na França, planejada para favorecer a oração e a experiência religiosa cristã. No entanto, embora seja um monumento religioso, ligou-se, durante a história, intimamente a vida e a história da sociedade francesa. Por isso, sua importância para aquele país, além do sentido religioso, é o de monumento nacional e histórico da maior importância, sendo ao lado do Museu do Louvre, os maiores símbolos arquitetônicos daquele país.
A solução arquitetônica utilizada na construção daquela Igreja substituiu as paredes grossas dos templos edificados antes, por colunas altas e arcos capazes de sustentar o peso dos telhados. Por isso, catedrais como Notre Dame de Paris ganharam um aspecto leve, com janelas amplas e altas, capazes de promover a iluminação no interior e criar um clima propício de oração. Na Catedral de Paris essas janelas foram ornamentadas com magníficos vitrais coloridos que filtram a luz natural, e criam um maravilhoso efeito visual no interior. O magnífico edifício foi reconhecido como patrimônio histórico da humanidade em 1991, por isso é natural a preocupação mundial com o incêndio e a mobilização ocorrida em vários países para sua recuperação.
Entretanto, tão impressionante quanto o próprio incêndio, foi a imediata reação da elite econômica francesa. Em menos de vinte e quatro horas as pessoas mais ricas do país já haviam doado 750 milhões de euros, algo como 3 bilhões e 300 milhões de reais, seja, mais de 50 por cento do valor que o governo brasileiro destinará este ano para arrumar todas as nossas estradas. Contudo, o que quero destacar não é o valor que será necessário para restaurar aquele monumento histórico, mas o fato das cinco maiores fortunas da França se mobilizarem imediatamente para assegurar a recuperação do monumento, ajuda completa por grandes empresas.
O fato, que não deixa de sensibilizar a todos os que se preocupam com a preservação dos monumentos históricos, também colocou em evidência a diferença entre uma elite econômica comprometida com seu país e uma que não é.
Quando um incêndio de grandes proporções destruiu o Museu Nacional do Brasil, em 2 de setembro do ano passado, destruindo a quase totalidade do acervo histórico e científico colecionado durante dois séculos e o magnífico prédio que foi a residência oficial da família real durante o Império, os milionários do Brasil não se manifestaram. Ainda que se possa dizer que a Catedral de Paris é um monumento histórico comparativamente mais importante que o Museu Nacional do Brasil, para nosso país o Museu e seu acervo são tão importantes quanto a Catedral para a França.
No magnífico livro A rebelião das massas, Ortega y Gasset comentou o papel das minorias, ou seja o protagonismo histórico das minorias nas diferentes áreas da cultura. Cabe a elas liderar a sociedade. O filósofo não falava de uma única minoria, mas de várias, porque não há uma única elite, mas muitas na defesa da excelência cultural e sobretudo no papel de liderança que elas exercem e precisam exercer. Nesse sentido, parece que os milionários franceses assumiram o protagonismo do processo de restauro, isto é, agiram como liderança responsável, pelo menos nesse caso. É claro que agora os governos e os cidadãos comuns também irão se mobilizar, fazendo a parte que cabe aos liderados. A liderança do processo de reconstrução foi assumida por quem de direito, pela minoria econômica da França, comprometida com a vida e a história do país.
A diferença de atitude, em episódio similar em nosso país, mostra a triste e lamentável diferença de mentalidade e a falta de compromisso da nossa elite econômica com o destino do país e do seu povo.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

PÁSCOA - HEBRAICA; PÁSCOA-CRISTÃ. Selvino antonio Malfatti















PÁSCOA HEBRAICA

Podemos dizer que Páscoa - em hebraico Pessach - para os hebreus tem um signficado histórico, pois relembra a travessia pelo Mar Vermelho do povo hebraico, então escravo no Egito, para a liberdade rumo à Terra Prometida sob à liderança de Moisés.

Êxodo: Capítulo 14.

15.Então disse o SENHOR a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem.
16.E tu, levanta a tua vara, e estende a tua mão sobre o mar, e fende-o, para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar em seco.
17.E eis que endurecerei o coração dos egípcios, e estes entrarão atrás deles; e eu serei glorificado em Faraó e em todo o seu exército, nos seus carros e nos seus cavaleiros.
18.E os egípcios saberão que eu sou o SENHOR, quando for glorificado em Faraó, nos seus carros e nos seus cavaleiros.
19.E o anjo de Deus, que ia diante do exército de Israel, se retirou, e ia atrás deles; também a coluna de nuvem se retirou de diante deles, e se pôs atrás deles.
20.E ia entre o campo dos egípcios e o campo de Israel; e a nuvem era trevas para aqueles, e para estes clareava a noite; de maneira que em toda a noite não se aproximou um do outro.
21.Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o SENHOR fez retirar o mar por um forte vento oriental toda aquela noite; e o mar tornou-se em seco, e as águas foram partidas.
22.E os filhos de Israel entraram pelo meio do mar em seco; e as águas foram-lhes como muro à sua direita e à sua esquerda.
23.E os egípcios os seguiram, e entraram atrás deles todos os cavalos de Faraó, os seus carros e os seus cavaleiros, até ao meio do mar.
24.E aconteceu que, na vigília daquela manhã, o SENHOR, na coluna do fogo e da nuvem, viu o campo dos egípcios; e alvoroçou o campo dos egípcios.
25.E tirou-lhes as rodas dos seus carros, e dificultosamente os governavam. Então disseram os egípcios: Fujamos da face de Israel, porque o SENHOR por eles peleja contra os egípcios.

26.E disse o SENHOR a Moisés: Estende a tua mão sobre o mar, para que as águas tornem sobre os egípcios, sobre os seus carros e sobre os seus cavaleiros.

27.Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o mar retornou a sua força ao amanhecer, e os egípcios, ao fugirem, foram de encontro a ele, e o SENHOR derrubou os egípcios no meio do mar,





PÁSCOA CRISTÃ

Para os cristãos, Páscoa tem um significado religioso, pois representa a passagem do estado de pecado dos homens para a redenção através da morte de Jesus na Cruz e ressurreição.


"São Lucas, 24
1.No primeiro dia da semana, muito cedo, dirigiram-se ao se­pulcro com os aromas que haviam preparado.

2.Acharam a pedra removida longe da abertura do sepulcro.

3.Entraram, mas não encontraram o corpo do Senhor Jesus.

4.Não sabiam elas o que pensar, quando apareceram em frente delas dois personagens com vestes resplandecentes.

 5.Como estivessem amedrontadas e voltassem o rosto para o chão, disseram-lhes eles: “Por que buscais entre os mortos aquele que está vivo?

6.Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como ele vos disse, quando ainda estava na Galileia:

7.O Filho do Homem deve ser entregue nas mãos dos pecadores e crucificado, mas ressuscitará ao terceiro dia”.

8.Então, elas se lembraram das palavras de Jesus.
 9.Voltando do sepulcro, contaram tudo isso aos Onze e a todos os demais.

10.Eram elas Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago; as outras suas amigas relataram aos apóstolos a mesma coisa.

11.Mas essas notícias pareciam-lhes como um delírio, e não lhes deram crédito.

12.Contudo, Pedro correu ao sepulcro; inclinando-se para olhar, viu só os panos de linho na terra. Depois, retirou-se para a sua casa, admirado do que acontecera"
(São Lucas, 24 - Bíblia Católica Online)


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