sexta-feira, 31 de julho de 2015

Contando uma linda história. José Mauricio de Carvalho





A mais maravilhosa história da humanidade foi protagonizada há mais de dois mil anos por um jovem carpinteiro da cidade de Nazaré em Israel. Depois de ensinar alguns anos o caminho para Deus, assumiu com sua morte, as consequências de suas escolhas e ensinamentos. E assumiu com força inabalável. Ele percebeu, a certa altura da vida, que as autoridades religiosas judias não aceitavam sua mensagem, nem sua presença e caminhou serenamente para o destino trágico que a missão o conduzia. O Batismo no Jordão transformara o jovem carpinteiro em um novo homem e o levou à entregar a vida em sacríficio supremo. Foi a última forma que encontrou de combater o mal. Ao fazê-lo revelou aos homens a vontade de Deus e respondeu com o perdão a injustiça, a mentira e o julgamento fraudulento de que foi vítima. Viveu humildemente e morreu sublimemente: morreu por seus amados (Jo 15,13).
O jovem carpinteiro saiu do Batismo no Jordão elevado à condição de Rabino, mudou sua forma de viver com uma ética que abria os caminhos até Deus.  Seus últimos dias neste mundo foram relatados nos Evangelhos: a recepção com ramos em Jerusalém, a última ceia, a condenação, o testemunho de coerência diante dos juízes, a morte na cruz. Foi-lhe dada a forma desumana de executar escravos e inimigos perigosos de Roma. E a tudo suportou sem desespero, procurando a presença de Deus na sentença da cruz. Passou seus últimos momentos com o coração cheio de angústia, mas determinado a levar ao final sua missão. E com esta escolha libertou-se da angustia existencial e deu à sua vida um sentido maior, o de salvar os homens da maldade. Morreu, foi sepultado, e quando todos esperavam o fim da história começou a aparecer a seus discípulos e a pessoas que o conheceram. O absurdo dos fatos adquiriu, então, um sentido libertador. Apareceu de outro modo, com um novo corpo, mas ainda assim possível de ser reconhecido pelos discípulos. Ressurgindo renovou todas as coisas.
A linda história do Filho de Deus que viveu entre os homens, morreu ressuscitou e apareceu a muitas pessoas, mudou a história da humanidade. Primeiro trouxe valores desconhecidos: o amor até aos inimigos, a igualdade de todos os homens diante de Deus, a dignidade da pessoa humana, a liberdade de fazer escolhas e a responsabilidade necessária por elas. A tais valores soma-se a esperança de renovação do mundo e de uma nova vida que há de vir para todo homem depois de cumprida a jornada na terra.
Esta história já contada tantas vezes e com muitas variações é encenada na cidade de São João del-Rei durante a Semana Santa, mantendo-se um ritual que se repete, quase sem alterações, há dois séculos. Assim, a história do carpinteiro que era Deus ganhou, com a tradição, uma forma igualmente extraordinária de ser apresentada aos homens. A cerimônia foi recentemente filmada por Toninho Ávila e comentada pelo Pe. Ramiro José. Este último explicou o significado litúrgico dos fatos narrados: a presença viva de Cristo no ritual. Além dos eventos da Semana Santa gravaram também a via sacra realizada na Catedral de São João del-Rei, que é um outro modo de retratar os últimos momentos da vida de Jesus. Tudo isto pode ser adquirido por qualquer pessoa hoje em dia. Pode ser guardado como registro deste bem cultural imaterial, celebração que enriquece o casario dos séculos XVIII e XIX e que é o adorno desta celebração. Uma iniciativa interessante dos organizadores do vídeo. Ao assistir as filmagens comentadas nos vemos diante do desafio de reviver os últimos momentos do Senhor e reconstruir, para além da forma narrativa, o sentido de sua Presença em nossos dias.


sexta-feira, 24 de julho de 2015

A ALEMANHA, O CONTRAPONTO DA GRÉCIA. Selvino Antonio Malfatti




É opinião corrente entre os gregos e até mesmo recorrente de que a desgraça da Grécia está relacionada ao sucesso da Alemanha. Com efeito, dizem: roubaram-nos a língua, a filosofia, a ciência, a arte, a matemática e nos deixaram na miséria. Vejamos o contexto.
No momento a Grécia tem como líder político Alexis Tsipras- socialista e a Alemanha  Angela Markel - conservador, ambos herdeiros de um passado distinto que se reflete no presente.  O professor Ricardo Vélez Rodríguez, em "Menos Platão e mais Aristóteles", neste espaço, sugeriu que a Grécia está nesta situação porque não se adaptou às instituições políticas dos países da zona do euro e não tem mecanismos opara desembarcar e ao contrário, a Alemanha não só assimilou como foi protagonista do euro europeu. Aproveitando o tranco concordo, mas acrescento que isso aconteceu também no sentido dicotômico de idealismo versus realismo. A Alemanha condimentou sua política econômica com mais Aristóteles - realismo, enquanto a Grécia fez o inverso, priorizou Platão - idealismo. Por onde começamos?

Penso que uma data significativa para ambos pode ser o fim da II Guerra Mundial. A Grécia, libertada da ocupação nazista, alinha-se com os aliados e por isso sai vencedora; a Alemanha, causadora da guerra, a perdedora. A primeira, ainda durante o período bélico mundial, envolve-se numa guerra civil de cunho ideológico-político - socialista versus conservador – conflito que continuará após o término da conflagração mundial.
A Alemanha assina uma rendição incondicional e a guerra chega ao final. Já antes do término, os líderes aliados discutem o que fazer com a economia alemã. A decisão a que chegaram foi de destruir a indústria alemã e transformar o país numa economia agrícola. Era o Plano Morgenthau. Só após o fim da guerra este Plano foi mitigado. Assim mesmo, a Alemanha até 1947 definhava economicamente. Um dos problemas era o modelo econômico de mercado adotado pelos Estados Unidos, Inglaterra e França de um lado e o modelo estatizante da União Soviética. Ambos excluíam-se mutuamente. A solução encontrada foi dividir a Alemanha: uma parte ficaria com a Rússia e aí poderia implantar o seu modelo econômico e outra ficou com os demais aliados e que passariam a adotar o seu modelo.
Outra medida dos aliados foi de controlar a economia alemã através de salários e preços congelados e com isso controlariam a economia funcionando. Era aquilo que chamavam de inflação reprimida. O resultado era o pior possível. A oferta e demanda se autoeliminavam. Os preços deixavam de refletir o valor do dinheiro. Consequência: queda na produção, e em decorrência: escassez. Voltou-se tudo a estaca zero: economia de escambo em vez de monetária. As empresas passaram a trocar aquilo que produziam por aquilo que necessitavam. O efeito dominó não demorou. Os empregados também queriam ser pagos em mercadorias. E eles mesmos passaram a praticar o escambo, isto é, trocavam mercadorias que tinham por aquelas que necessitavam. Os trabalhadores não tinham mais incentivo para trabalhar e mesmo ganhar dinheiro. Queriam somente mercadorias. Como era necessário ter emprego para ter direito às papeletas de racionamento, conseguiam emprego, mas somente iam trabalhar duas ou três vezes semanais. O resto do tempo era dedicado a bicos e trocas. Esta situação econômica levou o país a quase total paralisia, chegando ao ápice em 1948.
A virada ocorre com Ludwig Erhard ao ser nomeado Diretor da Administração Econômica Bizonal propondo um plano econômico de reforma monetária junto com uma completa abolição dos controles sobre a economia. Os aliados receberam com ceticismo e desconfiança a reforma. Mas pouco a pouco o mercado negro desapareceu, os preços se estabilizaram, as mercadorias apareceram, os trabalhadores sentiram vontade de trabalhar e ganhar dinheiro e o povo sentiu vontade de comprar. Já em 1948, a Alemanha cresceu 143% e nas décadas seguintes uma das maiores taxas de crescimento do mundo.
E o que aconteceu com a economia da Alemanha oriental? Praticamente se tornou satélite da URSS, sem autonomia, subordinando-se às decisões superiores de Moscou, enquanto a ocidental, paulatinamente, retoma a vida autônoma. Nesse contexto, o renascimento dos partidos políticos, na ocidental, ocorreu com as primeiras eleições administrativas em 1946, quando se apresentaram  à disputa os democratas cristãos, os sociais democratas e os liberais, permanecendo esses grupos por quase meio século na arena política. Na zona dominada pelos soviéticos, os sociais democratas e os comunistas são obrigados a se fundirem, dificultando a competição para os demais partidos, como os democratas cristãos.
Em 14 de agosto de 1949, realizam-se as eleições na República Federal da Alemanha que dão a vitória aos democratas cristãos sob a liderança de Konrad Adenauer, o qual, em setembro, forma o primeiro gabinete de centro-direita, com os liberais e outros partidos conservadores. Adenauer escolhe para ministro Ludwig Erhard que leva adiante uma proposta político-econômica de economia social de mercado. Há que se frisar que a economia social de mercado não se identifica com o liberalismo econômico e nem com socialismo. A proposta é originária de ideias político-econômicas da própria Alemanha. A economia social de mercado pode ser entendida como uma combinação de liberdade de mercado com a eficiência proveniente da competência, bem como a garantia de uma existência digna para os setores menos favorecidos da sociedade.
O sucesso do plano foi secundado por alguns fatores que não dependeram diretamente do ministro Erhard. Entre eles, pode-se destacar que a situação catastrófica em que se encontrava a Alemanha não era da responsabilidade de nenhum partido recém-constituído. Em segundo, havia um ambiente cultural propício para a operacionalização de novas ideias econômicas, desenvolvidas durante o período nazista, com o objetivo de reorganizar a Alemanha após o fim da guerra.
Com o democrata cristão Adenauer no governo, no cargo de chanceler, e Erhard como ministro da economia, a Alemanha reingressa no concerto das nações democráticas ocidentais. A União Cristã Social – CDU e CSU – permanece hegemônica até 1966, quando se inaugura um governo de coalizão com os sociais democratas.
A trajetória político-econômica da Alemanha foi de trabalho, poupança, austeridade, não gastar mais que se ganha, um programa conservador? Se isto é conservadorismo, então, esta foi a ideologia que levou a Alemanha a uma das nações mais ricas da Europa. Deem-lhe o nome que quiserem, mas que a receita não é só boa, como ótima. Por outro lado, a Grécia insiste em implantar um modelo de distribuição de benesses, emprego, redução da jornada de trabalho, incentivo ao consumo, facilidade de crédito. È um programa progressista? Se isto for progressismo então esta ideologia levou a Grécia à pobreza.  A Alemanha adota uma visão aristotélica, isto é, realista enquanto a Grécia fixa-se numa mentalidade platônica ou idealista.
Aí está posto o paradoxo - aparência de falsidade - mas verdadeiro: o realismo de Aristóteles, leva ao progresso, e o idealismo de Platão, à estagnação. Então, por que a Grécia não adota também mais Aristóteles e menos Platão?




sexta-feira, 17 de julho de 2015

A crise grega – menos Platão, mais Aristóteles! Ricardo Vélez Rodríguez - Professor da Faculdade Arthur Thomas (Londrina)



Em face da crise do euro, com os gregos querendo desembarcar da União Europeia, lembro-me de artigo muito pertinente escrito por meu amigo João Carlos Espada (A Grécia e as ‘infelizes dicotomias’ continentais, jornal Público, Lisboa, 6/7) em que ele identificava um problema: não foi imaginado pelos criadores da zona do euro um mecanismo de desembarque para as nações que, como os gregos hoje, não se sentissem à vontade nela. Ora, faltou esse mecanismo de desembarque. Se houvesse, não estaria passando a Europa unida por tantos sobressaltos.
É claro que eu, como meu amigo Espada, não tenho simpatias por Alexis Tsipras nem por seu grupo de esquerda radical, o Syriza. Baste lembrar que a primeira providência do jovem líder grego depois de eleito foi receber o embaixador do arquirrival da União Europeia, o czar Putin. É botar gasolina na fogueira.
Passo a refletir sobre a crise do euro à luz dos conceitos filosóficos, sendo fiel à minha profissão de professor de Filosofia. Falta à União Europeia, hoje, mais flexibilidade na gestão dos conflitos. Resumiria esse imperativo no título do meu artigo: menos Platão, mais Aristóteles.
Lembremos que, diante da crise que os gregos enfrentavam no século 4.º a. C., com Atenas perdendo terreno para a sua rival Esparta, a solução platônica consistiu em incrementar o modelo educacional ateniense, tirando o ensino das mãos dos sofistas, estrangeiros em geral, e passando-o às dos atenienses, sob o rígido controle do governo da polis. O modelo ateniense deveria ser incutido na mente das novas gerações pela pedagogia platônica, a Paideia, toda ela a serviço da construção da máquina do Estado, sob a previdente condução do rei filósofo. Ora, esse modelo funcionava em Atenas e em nenhum outro lugar. Quando Platão tentou sugeri-lo a Dionísio, tirano de Siracusa, foi posto em prisão e seus discípulos tiveram de fazer uma vaquinha para libertar o mestre.
Aristóteles não tinha origem ateniense, era um bárbaro macedônio civilizado, tendo estudado na Academia platônica. Mas tinha uma visão ampla do mundo e uma concepção política aberta à diversidade. Viajou pelo Médio Oriente, pelo Mediterrâneo Oriental e pelo Egito e escreveu sua obra sobre as constituições do mundo antigo, tendo identificado 158 formas diversas de governo. Formou nessa mentalidade aberta o seu pupilo, o jovem Alexandre, que seria o famoso conquistador do mundo antigo, construtor do primeiro império globalizado da época.
Dessa magnífica obra aristotélica chegou até nós a Constituição de Atenas, preservada do criminoso incêndio da Biblioteca de Alexandria por zelosos amanuenses bizantinos, egípcios e árabes, que a trouxeram até nós. Ora, o postulado fundamental da política em Aristóteles é que há duas condições para conquistar a estabilidade no seio do Estado: a primeira é que este se organize a partir das tradições em que a comunidade acredita e a segunda, que se estabeleça um regime que traduza a média da opinião, postulado que passou à posteridade, na Idade Moderna, pela mão, sobretudo, de François Guizot, o primeiro-ministro do reinado de Luís Felipe na França.
A comunidade do euro foi organizada mais pensando na unanimidade platônica (herdada por Hegel, que certamente influenciou muito a intelligentsia alemã e a chanceler atual, Angela Merkel). Faltou a média da opinião de Aristóteles.
Não foram criados mecanismos que possibilitassem aos países integrantes um eventual desembarque da zona do euro. Era isso o que justamente temia Margaret Thatcher quando foi posta em discussão a adoção pelos parceiros europeus da moeda única.
Lembremos parte do seu discurso pronunciado no Conselho da Europa, reunido em Roma em outubro de 1990, no qual a então primeira-ministra britânica desaconselhava a adoção da moeda única por seu país. A sra. Thatcher afirmava que os trabalhistas não teriam problema em entregar a soberania nacional. O Partido Trabalhista, dizia ela ironicamente, “talvez concordasse com a moeda única e com a abolição da libra esterlina. Talvez, sendo totalmente incompetente na administração da política monetária, ficasse feliz em delegar toda a responsabilidade a um banco central (europeu), como fez em relação ao FMI. O fato é que o Partido Trabalhista não tem competência para lidar nem com dinheiro nem com a economia” (Papéis de Margaret Thatcher, documento número 869, 30 outubro de 1990, http://www.margaretthatcher.org/document/108234).
Ora, a União Europeia, na rigidez dos seus princípios organizacionais, lembra mais Platão e o Bloco Continental imaginado pelo imperador Napoleão Bonaparte do que uma federação de Estados livremente unidos por um pacto flexível, costurado à sombra do bom senso aristotélico. Um banco central operante pressupõe mecanismos de união política que hoje estão ausentes da comunidade. Eis o cerne do problema. A ordem imposta de fora é problemática. “As baionetas”, aconselhava a velha raposa Talleyrand a Napoleão, “servem para muitas coisas, menos para sentar em cima delas.”

Voltando ao bom senso britânico, considero pertinentes as palavras com que João Carlos Espada conclui seu artigo: “As instituições sociais não são fabricadas especificamente por ninguém. Emergem de um longo e complexo processo de interação descentralizada que não é suscetível de comando central – mesmo que esse comando central seja exercido pela chamada Razão, ou mesmo pela Razão libertadora de preconceitos e tradições não racionais (...). Não pretendo com isto concluir que a criação do euro tenha sido necessariamente um erro. Mas foi seguramente um erro gigantesco ter criado o euro sem uma cláusula de saída ordeira. E é um erro gigantesco identificar a moeda única com a União Europeia. A moeda única deve ser apenas uma opção possível para aqueles países que queiram subscrevê-la”.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Evangelii Gaudium, a Igreja do Papa Francisco.José Mauricio de Carvalho - UFSJ





O Papa Francisco resumiu os desafios da Igreja de nosso tempo na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium. No documento o Pontífice toca num aspecto sensível e atual: a necessidade de uma nova presença da Instituição no mundo. O nosso tempo, com seus desafios, pede uma atuação singular da Igreja. Embora dirigida a todos os cristãos, a exortação do Papa Francisco dirige-se principalmente ao clero, estimulado a adotar uma atitude que o Pontífice denomina missionária. Poderíamos traduzir Igreja Missionária como aquela que vive no espírito acolhedor e amoroso do Fundador. Simples assim, o Papa quer uma Igreja que se entusiasme na singela alegria de anunciar o Senhor. Uma Instituição que saiba separar o que é essencial na sua missão dos acessórios incorporados ao longo de sua história.
O essencial da exortação do Papa Francisco encontra-se no início do documento: aqueles que se deixam tocar por Jesus "são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria" (p. 3). E essa maravilhosa relação pessoal de sentido em razão do encontro com Cristo, no entendimento do Papa, a resposta para o sofrimento dos homens de hoje. Esta Igreja está desafiada anunciar a "doce alegria do amor de Deus" (p. 4).
A alegria do anúncio vem da fidelidade ao Evangelho. Se o convite para anunciar o Senhor for deixado de lado em nome de outras doutrinas e procedimentos a Igreja se afasta do essencial. Escreve o Papa: "Se tal convite não refulge com vigor e fascínio, o edifício moral da Igreja corre o risco de se tornar um castelo de cartas, sendo este o nosso pior perigo: é que, então, não estaremos propriamente a anunciar o Evangelho, mas algumas acentuações doutrinais ou morais, que derivam de certas opções ideológicas. A mensagem correrá o risco de perder o seu frescor e já não ter o perfume do Evangelho" (p. 34/35).
Para anunciar com alegria o Evangelho a Igreja, principalmente seus ministros, precisam distinguir o fundamental do acessório. Como diz o Papa Francisco, esta distinção é necessária "tanto para os dogmas da fé como para o conjunto dos ensinamentos da Igreja, incluindo a doutrina moral" (p. 32). Separar o principal do secundário é desafio permanente da Igreja, que tem que transmitir a eterna boa nova em meio aos ruídos do mundo. Logo o anúncio precisa ganhar a forma dos tempos, para que o ensinamento conserve o eterno frescor da formulação original. Explica Francisco: "as enormes e rápidas mudanças culturais exigem que prestemos constante atenção ao tentar exprimir as verdades de sempre numa linguagem que permita reconhecer a sua permanente novidade" (p. 36).
Para efetivar tal desafio é importante refletir sobre a verdade com liberdade apoiando-se na Filosofia, Teologia e na prática pastoral livremente tratadas. Essa atitude "ajuda a explicitar melhor o tesouro riquíssimo da palavra" (p. 36). A deixar que as circunstâncias histórico-culturais limitem a transmissão da verdade corre-se o risco de falseá-la, mesmo quando a verdade circunstanciada carrega a melhor das intenções.
O Papa é realista. Entende que as pessoas não são, de modo geral, santas e perfeitas, frequentemente vivem um longo e difícil caminho de aperfeiçoamento pessoal. Para essas pessoas Cristo é esperança de crescimento e salvação. Porém, é necessário anunciar Cristo "com misericórdia e paciência, às possíveis etapas do crescimento das pessoas, que se vão construindo dia após dia" (p. 39). De tal modo que o confessionário deve ser o lugar da misericórdia, não da tortura. Creio que se pode dizer o mesmo das homilias. E aqui palavras do Papa em seu esforço de aproximar-se de Jesus: "um pequeno passo, no meio das grandes limitações humanas, pode ser mais agradável a Deus do que a vida externamente correta de quem transcorre seus dias sem enfrentar sérias dificuldades" (p. 39/40).
É essa Igreja renovada pelo amor misericordioso de Deus que o Papa anuncia em seu documento. Ela não pode permanecer intra-muros, mas deve sair para o mundo para renová-lo. Indo ao mundo não deve se ocupar da autopreservação, com a suposta segurança doutrinal, que estigmatiza as pessoas e as condena. Uma Igreja de saída para o mundo é uma Igreja sensível às dores. Capaz de ir até onde está o mal sem se deixar contaminar por ele. Não se pode ocupar com a glória, títulos, bem-estar, segurança material e teórica, narcisismo e elitismo do clero.
E se essa Igreja errar ao sair para o mundo, esse erro parece ao Pontífice menos grave do que permanecer preso "em um emaranhado de obsessões e procedimentos" (p. 43) que emperram a instituição de viver na alegria e graça do Senhor.
Se este é o tempo e tantas são as faces do mal que nele surge, o homem deste tempo precisa de pastores alegres, generosos e acolhedores. Pastores encantados com o Evangelho e que o vivam e o apresentem com alegria. E é na alegria do Evangelho que a Igreja trará resposta às dúvidas, incertezas e inseguranças do homem de hoje.
Pois bem se as palavras de Francisco servirem para tornar a Instituição mais carinhosa, amiga e generosa, mais atenta ao sofrimento humano, elas soprarão como a voz do Espírito Santo a renovar e trazer vida nova à Igreja de Jesus. Creio que a compreensão de Francisco está próxima do que diz o filósofo alemão Immanuel Kant no ensaio O fim de todas as coisas (1985): "o amor é então, enquanto livre acolhimento da vontade de um outro, submetido a suas máximas, um indispensável complemento da imperfeição da natureza humana (para tornar necessário aquilo que a razão prescreve mediante a lei)" (p. 176). E completa: "Nunca se deve desprezar o fato de que somente a dignidade moral do amor que o cristianismo traz consigo (...), poderia conservar-lhe também no futuro os corações dos homens" (idem, p. 180).





sexta-feira, 3 de julho de 2015

FEIRA DE ECONOMIA SOLIDÁRIA. Selvino Antonio Malfatti - UFSM




O evento, "Feira de Economia Solidária",  no centro do Rio Grande do Sul, Santa Maria, Brasil, extrapola as fronteiras e estende-se para a América Latina e chama atenção para o resto do mundo. O aontecimento vem acontecendo desde 1994.
A idéia é abrir um espaço de articulação, debate, intercâmbio de idéias, experiências, em relação à Comercialização Solidária e Direta dos produtores da agricultura familiar, agroindústrias familiares, catadores, indígenas, trabalhadores do campo e cidade como uma alternativa ao modelo econômico capitalista.Qual o fundamento teórico desta experiência?
Pelo menos duas grandes orientações das igrejas cristãs proporcionaram a seus fiéis em relação aos bens materiais: o ascetismo e o solidarismo. Existem outras, como o misticismo, mas foge da relação propriamente dita com a economia, pois é tipicamente claustral.
Ao anunciar a Boa Nova, Jesus trouxe ESPERANÇA para os pecadores, pobres, doentes, enfim, a todos os que sofriam. Era a ESPERANÇA que cativava,encantava e atraía as multidões. E como podiam ter ESPERANÇA? O cristianismo inicial dava ênfase nas boas ações, fazer o bem, isto é praticando a caridade. Disso decorre que a salvação residia preponderantemente no fazer.
Com o advendo do protestantismo, deslocou-se o eixo da ESPERANÇA. Passou a ser a fé. "A tua fé te salvou". E uma das minfestações concretas da fé, foi a doutrina da Predestinação, do Calvinismo. Dela surgiu uma ética em relação à posse e aquisição de bens através da atividade econômica. Foi o ascetismo.
A ética do ascetismo econômico, de origem protestante, está calcada na idéia de Predestinação em relação à salvação após a morte. Tudo está decidido. Limitava-se a crer. A partir disso, os crentes tentaram encontrar “provas” da eleição. Identificaram-na no sucesso da atividade econômica, isto é, ser bem sucedido nos negócios era uma “prova” de ter sido escolhido por Deus para a salvação eterna.
Mas como chegar ao sucesso econômico? Através de um ethos de vida. Nada de gozar a vida com o dinheiro ganho ou os bens adquiridos. Gastar somente o necessário para sobrevivência. A orientação era ser prudente e diligente. Afastar a preguiça, pois tempo é dinheiro. Se o credor, dizia-se, o vir ou ouvir trabalhando até altas horas da noite ou cedo de manhã, ficará descansado. Cultivar um bom nome, pois isto facilita o crédito e este leva ao investimento e reinvestimento. “Crédito é dinheiro”, dizia o calvinismo. O dinheiro é procriador fértil. Ele gera dinheiro e seus rebentos geram mais dinheiro e assim ao infinito vai acumulando capital. Como diz o ditado, um bom pagador é senhor da bolsa alheia. Quem criar a fama de bom pagador pode pedir quanto dinheiro precisar ou quiser que todos o emprestarão. Esta ética de ascetismo deu origem ao capitalismo, o qual dá ênfase ao sucesso econômico individual e da soma das individualidades advirá o bem de todos, acreditava-se.

Resultado: produção + acúmulo = capital

O ramo do cristianismo que dá ênfase à caridade também deu origem a uma ética na posse e aquisição de bens: a ética da partição. A economia solidária é uma de suas manifestações concretas. Os antecedentes podem ser encontrados, primeiramente em Aristóteles que fala sobre a justiça corretiva. No entanto, estão com os escolásticos os fundamentos cristãos do catolicismo, quando Santo Tomás fala em justiça comutativa, no sistema de trocas a qual deve igualar as vantagens e desvantagens nas relações intercambiais entre os homens, tanto voluntárias, como involuntárias. E os fundamentos próximos da doutrina podem ser encontrados nas encíclicas Rerum Novarum de Leão XIII de 1891 e Quadragesimo Anno ddo papa Pio XI de 1931. Nelas é garantido o livre mercado, de ideologia liberal, a caridade e justiça social, da doutrina da Igreja, e sindicatos, de orientação socialista.
A ética do pensamento da economia solidária teoricamente objetiva assimilar os excluídos, minimizar o desemprego, proporcionar uma melhor distribuição de renda, fora do sistema capitalista. Este também persegue os mesmos objetivos só que por outros métodos. Cada um se move por uma ética diferente.
A ética da economia solidária, isto é, a produção, consumo e distribuição de bens visam a comunidade como um todo. Não basta um só crescer, ter bens, mas todos conjuntamente crescerem e disporem dos bens. O trabalho não se fundamenta em aumentar a quantidade de bens individuais, mas produzir bens em abundância que favoreçam a todos.
Os locais onde se dá a economia solidária são as associações e cooperativas de produção, consumo, comercialização e crédito. Esta forma de produção e consumo, se afasta tanto do individualismo capitalista, como do coletivismo socialista. 

Resultado: produção + distribuição = social

No capitalismo só o indivíduo sobressai e no solidarismo o todo. A economia solidária quer resgatar a esfera individual e comunitária introduzindo a idéia de pessoa. O bem estar do comunidade ou do grupo redundará no bem estar pessoal.

Por isso, a Feira de Economia Solidária se apresenta como um local onde se possa concretizar na prática a doutrina do solidarismo. Nela os diversos segmentos de uma economia primária e artesanal podem expor e vender seus produtos e os lucros são compartilhados  entre todos.

AVALIÇÃO: A proposta do solidarismo parece que deve ser entendida não como uma substituição ao capitalismo - o que parece atualmente improvável- mas uma alternativa, uma experiência paralela ou complementar.




sábado, 27 de junho de 2015

Identidade de Gênero e Cristianismo, o conflito desde dentro.José Mauríci de Cavalho - UFSJ




Esta semana a Câmara Municipal viveu um clima de disputa envolvendo o Plano Municipal de Educação. Infelizmente não se entrou, em profundidade, nos elementos constitutivos plano, o problema ficou restrito à chamada identidade de gênero. Na tentativa de evitar a evasão por discriminação de pessoas de orientação sexual diferente da tradicional, aquela no qual as pessoas se sentem homens e mulheres, identificados com o sexo biológico e atraídos pelo sexo oposto, o Plano Municipal de Educação trouxe a expressão identidade de gênero. A expressão sugere que todas as vivências sexuais tenham o mesmo peso, o que numa lógica simples impede a discriminação, já que independente da orientação sexual todas teriam o mesmo valor. Nenhuma novidade no que tange à confusão, uma vez que a questão vem gerando o mesmo tipo de embate em diferentes Prefeituras pelo país afora.  A divergência revela um conflito no entendimento da condição humana, pois a expressão identidade de gênero afronta elementos da tradição cristã estruturadoras de nossa sociedade.
A questão do gênero é complexa, ela envolve a sexualidade no sentido amplo, isto é, o sexo biológico, psicológico, a orientação e o ato sexual. Uma pessoa que nasce mulher, por exemplo, é  biologicamente do sexo feminino, mas pode ser psiquicamente identificada com o sexo masculino (sente-se, portanto, como homem apesar de ter corpo feminino), pode não ter vida sexual com nenhum parceiro, nem masculino, nem feminino. Neste caso porta-se como pessoa assexuada. Pode, diferentemente, orientar-se sexualmente para ter relações com outras mulheres, com homens, ou com os dois sexos. Viverá a sexualidade de modo diferente em qualquer dos casos. O mesmo acontece com homens que tenham identidade feminina (sentem-se como mulheres) e podem se relacionar com mulheres, com homens ou com pessoas dos dois sexos. Essas são as possibilidades estatísticas que poderiam ser representadas numa árvore de eventos, contemplando muitas possibilidades. Creio que se poderia resumir o problema ao entendimento de que nem sempre a identificação sexual (sentir-se psicologicamente como) coincide com o sexo biológico e nem sempre essa identidade reflete-se num comportamento padrão esperado, ensejando todas as variações acima indicadas.
Desde o início do século passado, a Psicologia, especialmente devido à contribuição da psicanálise, explicou como ocorre a identificação sexual mostrando que, no menino, ela procede de identificação complexa com o pai (ou outro representante do gênero masculino, um avô, tio, conhecido, etc.), mas que por diferentes razões, em circunstâncias especiais, a identidade pode também se dar com a mãe (ou outro representante do gênero feminino uma avó, tia, conhecida, etc.). Com a menina o processo tem a mesma complexidade, embora com elementos diferentes que seriam muito difíceis de serem explicados no pequeno texto.
A Bíblia judaico-cristã que tem no seu início um lindo poema sobre a criação do homem, refere-se à criação do gênero masculino e feminino, não contemplando variações, quer em virtude da enorme maioria das pessoas terem sua identidade e orientação sexual coincidente com o sexo biológico, quer porque foi escrita num tempo em que era necessário o nascimento de muitas crianças, pois curta era a vida colocando em risco a sobrevivência do grupo. Assim parecia ser o que prescrevia a natureza e, portanto, o desejo do seu Criador. Esse entendimento, fortalecido pela visão filosófica grego medieval que entendia serem fixos os processos essenciais da vida, prevaleceu durante séculos e construiu a lógica da exclusão. Acabou-se dizendo que o poema bíblico referia-se à natureza do homem, não podendo ser ela diferente em nada, consistindo qualquer desvio em pecado e aberração.
Pois bem, o sentido essencial do poema bíblico parece ser que Deus ao criar o homem da terra (e a mulher de sua costela) e lhes soprar nas narinas uma alma imortal colocou em cada uma dessas suas criaturas uma fagulha indestrutível de sua Presença. Não é o fato de suas criaturas terem dois sexos exclusivos o fundamental no texto. E além disso, a noção de pessoa que nasce do evangelho de Cristo, proclama que os homens (e mulheres) são iguais em dignidade, na capacidade de fazer escolhas livres, responsáveis, criativas e abertas à transcendência ou ao diálogo com Deus. A noção de pessoa atribuída inicialmente aos três indivíduos da trindade divina trouxe, por extensão, de Deus para a criatura humana que Ele fez a Sua imagem a referência, essa mesma condição. Portanto, embora em algumas passagens, a Bíblia condene a relação homossexual, não quer dizer que alguém perca sua condição humana ou de Filho de Deus por isso. O fato merece atenção e precisa ser melhor pensado num tempo em que se entende que a homossexualidade é fruto de um processo psicológico complexo e inconsciente (colocado fora do campo das escolhas pessoais) e que, portanto, não parece razoável discriminar ninguém ou privá-lo da vida social ou de se educar por isso. Nem parece cristão condenar as pessoas por conta de sua identidade sexual, deixemos a Deus essa dificílima tarefa.

Por outro lado, o respeito proclamado no parágrafo anterior não significa que todas as orientações sexuais são igualmente boas e desejáveis. Colocá-las dessa forma numa proclamada identidade de gênero não parece a melhor forma de tratar a dignidade da pessoa humana. Porém, ainda mais importante são os aspectos morais da sexualidade. Em sentido amplo a sexualidade envolve as dimensões biológicas, psicológicas e comportamental, isto é, para que seja verdadeiramente humana, a vida sexual precisa ser integralmente vivida na liberdade possível, responsabilidade, no respeito e amor ao outro. E mais, nas relações humanas em geral, que incluem outras dimensões além da sexual, o respeito ao outro (ou outros) é valor que precisa ser cultivado com o mesmo zelo que se dedicou ao problema do gênero. Num tempo de tanta violência, irresponsabilidade, egoísmo, isso parece o essencial.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

“ENCÍCLICA LAUDATO SI”. Selvino Antonio Malfatti - UFSM























No dia 18 deste mês, o papa Francisco, Jorge Mario Bergoglio, editou uma Encíclica intitulada “Laudato Si” (Louvado Seja), cujo título é uma referência ao Cântico das Criaturas de São Francisco de Assis.
Possui 192 páginas e 246 parágrafos e é dedicada à ecologia. É uma alusão ao “oikos”, (οκος), (casa, em grego) para significar a morada comum da humanidade sob a ameaça de autodestruição. Inicia com a citação do Cântico das Criaturas como protótipo de uma ecologia integral que se manifesta na natureza, o livro pelo qual Deus se manifesta. Diz o papa Francisco, toda criatura é um valor e um fim em si. No contexto da natureza o homem é um ser pessoal, mas não o proprietário da natureza. E a natureza não é uma matéria bruta a nossa disposição. Os seres viventes não são meros objetos de desfrute e proveito do homem, mas um valor próprio perante Deus.
A ecologia é sempre uma ecologia humana. Conforme o papa, no mundo, tudo está interligado: a fragilidade da terra e fraqueza dos pobres, os desequilíbrios ambientais e as disparidades sociais, as especulações financeiras às armas e estas às guerras. A terra, citando São Francisco, é mãe e irmã e, conforme ele, quando dizia isto seu olhar voltava-se para os pobres. Qualquer conotação ecológica é também uma aproximação social. A justiça deve integrar os debates sobre o ambiente e escutar como os mesmos, os brados da Terra e os brados dos pobres. Lançar a culpa ao incremento demográfico e não ao consumismo exacerbado de alguns é uma forma de querer fugir do problema.
O papa faz um levantamento das crises ecológicas da atualidade. Naturais: aumento da temperatura global, mutações climáticas, aumento dos mares, empobrecimento da biodiversidade. Sociais: distribuição injusta dos alimentos, insuficiência de água e ao direito de todos a ela. Falta de equidade planetária. Considera que a dívida externa dos países pobres transformou-se num instrumento de controle, mas não acontece o mesmo com a participação dos recursos. Há uma dívida pendente entre o norte e o sul do mundo. Há uma fraqueza na política internacional. É preciso criar um sistema de normas que prevejam limites invioláveis e assegurem a proteção dos ecossistemas, antes que as novas formas de poder oriundas do paradigma técnico-econômico terminem por destruir não só a política, mas a liberdade e justiça. Este paradigma tecnocrático tende a sobrepujar a política e estender-se para o aumento do consumismo obsessivo.
Há trechos duríssimos e por isso mesmo havia certa relutância nos meios de comunicação em publicá-la. Pode-se citar a denúncia da especulação, aliada à pesquisa de lucros os quais ignoram qualquer contexto e os efeitos perversos sobre a dignidade humana e o ambiente. Diante deste quadro é muito provável que, com a exaustão dos recursos, vai-se delineando cenários favoráveis a novas guerras de formas e conseqüências imprevisíveis. Para tanto, todos devem ter coragem de se propor projetos a longo alcance e pleitear o poder. Isto irá depender de nossa sobrevivência e a harmonia da criação. Lembremo-nos, diz Francisco, “o objetivo das demais criaturas não somos nós”.
Avaliação: o que de novo Francisco traz é uma valorização das demais criaturas viventes, além do homem. Tradicionalmente dizia-se que só o homem era um valor em si, agora Francisco estende este conceito aos demais seres vivos. Isto fica evidente a partir do Capítulo II, 5, parágrafo 89:


As criaturas deste mundo não podem ser consideradas um bem sem dono: « Todas são tuas, ó Senhor, que amas a vida » (Sab 11, 26). Isto gera a convicção de que nós e todos os se­res do universo, sendo criados pelo mesmo Pai, estamos unidos por laços invisíveis e formamos uma espécie de família universal, uma comunhão sublime que nos impele a um respeito sagrado, amoroso e humilde”. (http://w2.vatican.va/content/dam/francesco/pdf/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si_po.pd)

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